sábado, 20 de outubro de 2018

A facada vem sempre de onde menos se espera.




Jair Bolsonaro resolveu apelar, pela enésima vez, ao recurso da suposta ameaça terrorista. Desta vez para justificar a ausência no debate presidencial, decisão inteligente levando em conta o despreparo do candidato em todas as áreas da governação.

Novamente dá força à cada vez mais popular tese de que a esquerda o deseja matar, tese essa que de tempos em tempos ganha um impulso extra a partir daqueles que são próximos a Bolsonaro, como Olavo de Carvalho, o líder de seita que, por meio do activismo digital dos seus fanáticos, teve um papel fundamental na popularização de Bolsonaro, até então levado a sério apenas por um sector bem marginal do eleitorado,  e que moldou o actual Bolsonaro. O mito da conspiração comunista do Foro de São Paulo, o americanismo e israelismo em detrimento do velho nacionalismo, o conceito de marxismo cultural e a tese de que a educação brasileira foi destruída pelo “paulofreirismo” foram absorvidos por Bolsonaro a partir da sua aproximação ao líder de seita Olavo de Carvalho, para não falar da bandeira “anti kit gay” ou, na sua variação mais recente, da defesa do incesto por Haddad:


A tese de um atentado contra a vida de Bolsonaro, ao menos na versão “atentado petista”, para além de incendiária, é completamente disparatada se analisada friamente. A sobrevivência futura do PT, neste momento, depende da presidência Bolsonaro. Todos sabemos que o PT, no caso improvável de vencer as eleições, não teria condições de governabilidade e cairia logo. Se há esperança para o PT, ela reside justamente na ascensão e sobrevivência do governo Bolsonaro, garante de uma péssima gestão associada à direita e de quatro anos de instabilidade, o suficiente para se pavimentar o caminho do retorno ao poder. 

Porém, imaginemos que Bolsonaro fosse realmente alvo de um atentado bem sucedido e que o mesmo fosse imediatamente atribuído ao PT. Qual seria o resultado? Posso lhes responder: a destruição do PT como força política e o fim da carreira de todos os seus quadros mais importantes, especialmente se acontecer logo no princípio da presidência, quando a sua popularidade estiver no pico. Para meu desconforto, tenho reparado que muitos indivíduos ligados a grupos de poder que agora se alinham com Bolsonaro repetem vezes sem conta a ladainha de que estão muito preocupados com a sua vida, especialmente entre advogados ligados à maçonaria, ao opus dei e a outros grupos de influência. Eu, que não nasci ontem, não vou ao ponto de dizer que tenho a certeza de que tal possa acontecer, até porque há muitos cenários em aberto, mas tudo isso me reforça as suspeitas que levantei em posts passados. 

No caso dos apoiadores locais de Bolsonaro, isso faria todo o sentido, até porque entraram numa guerra sem quartel com o PT e têm tudo a perder (e muito para gastar), e os estrangeiros não teriam problemas com isso, afinal, apostam em quase todos os cenários,  ou melhor, em todos os cenários que levem ao enfraquecimento da capacidade negocial do Brasil. Quanto a Bolsonaro, parece não ter aprendido a grande lição da facada que tomou: ela vem sempre de onde menos se espera, quando menos se espera e de alguém bem próximo...


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Caetano Veloso entra na briga contra o olavo-bolsonarismo

Criando o seu próprio incêndio do Reichstag...

Caetano Veloso, que já sentiu na pele o veneno do guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, percebeu que é esta a mais perigosa conexão do candidato e resolveu intervir através do Jornal Folha de São Paulo:


 

Olavo de Carvalho é um agente provocador que temos denunciado há quase cinco anos. Na altura do impeachment de Dilma Roussef, chegou a conclamar os seus fanáticos para que invadissem o Congresso, seguindo o exemplo da Ucrânia, onde células nazis tomaram o poder com o auxílio material de Georges Soros, dando início a uma guerra civil e à possível desintegração do estado ucraniano sob a pressão internacional.

Foi graças ao olavismo que Bolsonaro ganhou massa crítica nas redes sociais e se definiu politicamente, deixando de ser um oportunista inculto caracterizado por uma retórica nacionalista muito básica com pitadas de darwinismo social, como na defesa da esterilização forçada de recipientes de programas sociais, para se tornar num anacrónico anti-comunista, liberal em economia e internacionalista em questões geopolíticas, chegando a defender abertamente, como fez no programa da olavette Nando Moura, a internacionalização da Amazónia. A única continuidade entre o velho Bolsonaro é a falta de controle emocional e a dependência financeira do erário público.  

É esse o sector olavista do bolsonarismo que dá o ar fascistóide ao movimento, e não sem razão. A histeria dos seus fanáticos é incitada a partir de uma instrumentalização da religiosidade que transforma a luta política numa luta de extermínio. São uma minoria entre os apoiantes de Bolsonaro, ainda que numerosa, mas, num quadro de crescente desorientação e polarização, são a minoria que acaba por puxar a maioria pois estão organizados e assim estabelecem a sua liderança num contexto em que o princípio de liderança vai se tornando no único elemento agregador e orientador. E não pensem que se trata apenas de um grupo de militantes. Este sector de radicais elegeu deputados para a Câmara de Deputados, como o próprio guru se gabou no seu perfil na rede facebook:




É importante frisar que Olavo de Carvalho coloca os dois filhos de Bolsonaro entre as "olavettes". Contamos com a pressão dos militares patriotas e de todos os que desejam um futuro de paz e prosperidade para o Brasil para controlar essa metástase que poderá tomar conta da nação se não for rapidamente neutralizada, custe o que custar. 

Para quem quiser conhecer melhor o criminoso Olavo de Carvalho, agente provocador que está aplicando no Brasil as lições aprendidas com os descendentes espirituais e materiais do fascismo romeno, recomendo também a leitura de alguns artigos antigos aqui publicados e do documentário Adubando o Jardim das Aflições:



 

P.S: E na resposta a Caetano Veloso, o astrólogo Olavo de Carvalho confirma tudo o que Caetano escreveu sobre o mesmo. Vejam a partir do minuto 6:00, em que afirma que o esfaqueamento de Bolsonaro foi um atentado organizado pela esquerda e chega ao ponto de culpar os professores universitários pela acção. 

 

domingo, 14 de outubro de 2018

Uma úlitma observação sobre a candidatura Haddad


Creio já ter exposto razões suficientes para não votar em Haddad em posts anteriores, porém, reforço o que já foi escrito com uma questão: para além de todos os problemas que colocam a legitimidade de uma possível eleição de Haddad em causa, e da certeza da instabilidade que atingiria um governo PT desde o primeiro dia da governação, que impacto teria um tal cenário nos Estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste, tendo em mente a divisão regional dos votos e considerando que os EUA atacarão a Venezuela, com ou sem o consentimento do Brasil, e um governo PT fará de tudo para blindar a politicamente o regime de Maduro, a começar pela instrumentalização do Mercosul?

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Bolsonaro não é um fascista!

 
Dídio Juliano, não Mussolini, serve melhor para a compreensão do "papel" de Bolsonaro
 
Antes de dizer o que penso ser a atitude mais inteligente para estas eleições, preciso dizer algumas coisas a respeito de Jair Bolsonaro, que muitos histéricos da esquerda continuam a chamar de fascista. Bolsonaro, se conseguisse reunir poder para isso, ou melhor, se fosse conduzido para uma posição que a mera presidência está muito longe de poder garantir, seria apenas um tirano que mistura, de forma bem primária, convicções eugenistas em questões sociais com liberais em economia, num liberalismo spenceriano, policialesco na questão da segurança pública apesar de permeado pelos sectores que estão no topo da cadeia alimentar do tráfico de drogas, mas fragilizado pelos seus impulsos grotescos e por uma total falta de visão ou autonomia intelectual, o que o torna facilmente influenciável e manipulável por conspiradores. Não é sequer um líder carismático, mas apenas um meme. Não é um orador, e cansa qualquer um se exposto em demasia, na verdade, nem sabe dizer o básico sem mostrar grande inabilidade no domínio da língua, especialmente quando perde o controle emocional. É inculto ao nível de Lula, mas ainda menos inteligente, apesar de tão oportunista. 

Já deu mostras de que é incapaz de formular um plano elevado de projecto nacional, não compreendendo sequer os números mais básicos ou os conceitos menos elevados de política ou economia, e nem vamos falar de questões geopolíticas. Sua candidatura mostra bem isso pois não partiu de uma decisão pessoal, mas sim da união da sua ambição desmedida com o impulso dado por certos grupos, que viram o potencial de Bolsonaro, um arrivista descarado e um fantoche facilmente controlável que até o início do movimento pelo impeachment era levado a sério apenas nas massas virtuais do olavismo astrológico-conservador, para vencer uma eleição presidencial nas actuais circunstâncias e aumentar a fraqueza do Brasil. Quanto ao olavismo, é por aí que existe uma conexão entre o Bolsonarismo e o fascismo, mas uma conexão muito diversa da que é imaginada pela esquerda, que também não compreende o papel dos skinheads ao estilo ucraniano na campanha deste pseudo-nacionalista com conexões escancaradas a Georges Soros.

Bolsonaro, instruído por gente experiente, se tornou um "meme" e a ele tenta corresponder em todas as aparições públicas,  uma clara utilização dos instrumentos da guerra de quarta geração no Brasil, e ajudou a  direccionar a “onda” criada no período pré-impeachment numa direcção mais radical, perdendo o controle sobre a mesma desde a entrada de Haddad na disputa presidencial. O pânico anti-petista saiu das agora aumentadas fileiras bolsonarianas e tomou conta de largos grupos, acirrando a polarização e fazendo com que as emoções apagassem qualquer vestígio de racionalidade. Agora, no meio do caos psicológico, serão os piores que conduzirão este movimento imparável e Bolsonaro, para se manter à tona, será obrigado a tomar a iniciativa pois perdê-la para outra figura precipitaria o irreversível processo de isolamento que começará a partir do seu desgaste na presidência, quando o encanto passar e a frustração tomar conta das gentes. E nessa hora a sua incapacidade política, ainda mais levando em conta a próxima composição parlamentar, o direccionará a um maior populismo que só vai aumentar ainda mais o isolamento. 

Bolsonaro não tem condições de ser um tirano pois o Brasil não é o Uganda, apesar de toda a acção de sabotagem do estado brasileiro empreendida nos últimos anos. Para se tornar um tirano, precisaria ser capaz de compreender e dominar todos os aspectos importantes da governação, para além e ter um movimento de massas bem dirigido, para além de "saber jogar", o que não sabe pois não apenas é um dado que foi lançado, mas mesmo nessa situação de limitação não disfarça a falta de preparo: quem na posição dele, a não ser um tolo, concordaria em ter um general por vice-presidente? E o general, que não é nenhum Napoleão, diga-se de passagem, já deixou claro que tem um dossier de todos os candidatos à presidência, seguro de que Bolsonaro, tão sagaz, não se incluiria na lista... Enfim, Bolsonaro não teria sobrevivido 5 minutos caso tivesse sido eleito no lugar de Dídio Juliano, provavelmente com total apoio dos que já na altura viviam da usura, se é que me entendem. Bolsonaro precisa de um “posto Ipiranga” em cada área da governação não para dividir trabalho e implementar uma política definida por ele em última instância, mas enquanto homem de confiança que deve saber o que faz pois ele realmente não tem ideia nenhuma de "como aquilo funciona". Um homem destes, ainda mais num país complexo como o Brasil, jamais seria um tirano se obtivesse o poder necessário para tal, mas apenas um pau mandado que rapidamente cairia a partir de acções dos mais ambiciosos e astutos elementos dos círculos mais próximos.

O perigo de tirania, na minha opinião, reside apenas numa possibilidade, mas esta não contempla Bolsonaro enquanto presidente em exercício. Explico. A tentativa mal esclarecida de assassinato de Bolsonaro, e o confuso e polarizado ambiente político no Brasil no presente quadro geopolítico do mundo e da própria América do Sul, me fazem temer um possibilidade terrível, que é a do assassinato de Bolsonaro depois de ser eleito presidente. Se isto acontecer, levando em conta as reacções explosivas dos mais próximos logo depois do esfaqueamento, penso que Mourão, que tem o apoio massivo da maçonaria, terá uma larga margem de manobra num espaço de tempo suficiente para concretizar um golpe devido à estupefacção e surpresa da população, e pode vir a tentar estabelecer uma tirania com apoio do exterior. Creio que teria um apoio tácito para dar o passo inicial,  mas logo se veria ele próprio numa armadilha pois ficaria completamente dependente da boa vontade dos seus discretos aliados, que usariam a crescente oposição da opinião pública no primeiro-mundo para aumentar o isolamento brasileiro e a pressão sobre Brasília, cada vez mais frágil, dependente e disposta a ceder tudo por qualquer tipo de suporte. O tal apoio, que só vai durar até não se conseguir arrancar mais nada do tirano, sairá bem caro, como podem perceber, ainda mais se pensarmos no potencial de confusão da crise venezuelana e nas ambições já manifestadas por Washington.

Ao contrário do que muitos ingénuos pensam, o Brasil enfrentou desde sempre desafios, ainda que por vezes apenas latentes, à sua soberania. Não há nada de especial nisto, afinal, é isto a normalidade. Anormal é viver num universo psicológico e intelectual que só faria sentido se o Brasil fosse uma nação isolada num outro planeta, mas é neste universo que vivem 99,99% dos brasileiros, ponto onde se aproximam bastante do americano médio dos estados do interior. Estes desafios nunca foram problemáticos quando o Brasil permaneceu em paz interna e unido em torno de algum compromisso entre os grupos políticos relevantes, mas se tornaram reais quando esteve dividido politicamente ou desestabilizado, ainda que as limitações materiais e geopolíticas da altura favorecessem a posição brasileira, ao contrário do que se passa hoje. As grandes questões territoriais brasileiras foram reabertas nessas ocasiões, como no período logo a seguir à Secessão do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e também no período à seguir a queda da monarquia, como se pode constatar num estudo histórico da Questão do Pirara.

A hipótese de um atentado contra a vida de Bolsonaro, já eleito, ainda encerra outra possibilidade ainda pior, que é a da guerra civil e consequente perda territorial. Caros, se houver uma desestabilização simultânea do Brasil e da Venezuela, abrindo espaço para a intervenção americana e para a reducção ou mesmo a eliminação dos últimos vestígios da soberania brasileira a norte do Amazonas, o que pode ser facilmente conseguido com um uso inteligente da crise dos refugiados, que ainda mal começou, para mostrar ao mundo a impotência de Brasília para proteger as reservas naturais e, sobretudo, indígenas, podemos dizer adeus à parcela  mais importante, em termos de potencial, do Brasil, e ao próprio sonho de um dia vermos o Brasil como uma nação próspera participante de primeira ordem do concerto mundial, se é que o país se manterá unido em tal situação de fraqueza e desmoralização. Em tal quadro, basta olhar para o resto do mundo para concluir que haverá reacção dos sectores mais radicais da esquerda, que se juntarão às guerrilhas comunistas latino-americanas e terão apoio de todas as potencias interessadas em "ganhar cartas negociais" em relação aos EUA, com destaque para a China, e teremos uma africanização da América Latina, que será o palco de jogos radicais entre os grandes blocos de poder.

Nessa altura, o medo de uma ditadura comunista será racional, afinal, o quadro social da região mostra em que direcção a balança penderá, ainda mais quando a direita, num tal cenário, será associada à submissão exterior e a esquerda à defesa da libertação latino-americana. Ou seja, ou tomamos juízo e começamos a agir com racionalidade, tentando quebrar a polarização  e dispersar o gado reunido, ou veremos que as profecias conspirativas a respeito da Patria Grande eram, afinal, uma profecia auto-realizável. Foi o medo da hipotética vítima que tornou um desfecho improvável numa certeza, tal e qual o pavor de uma ditadura fascista da parte de Bolsonaro pode abrir as portas para a tirania sob Mourão. Agir de forma emocional, que é o que está a fazer a maioria esmagadora dos brasileiros, é que vos torna vulneráveis e abre novas e terríveis possibilidades. De resto, já adianto que defendo que o melhor é votar nulo. Escreverei sobre as razões que me levaram a concluir que esta é a única alternativa pragmática em breve. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O Cuckatolicismo do Senhor Carlos Nougués, o tomista bolsonariano

De acordo com o tomista convertido em activista político, o mal menor é GADU...


Carlos Nougués é um conhecido expoente do cuckatolicismo para-olavista que há tempos nos garantiu que, segundo São Tomás de Aquino, devemos votar em Jair Bolsonaro! Nem a pompa do discurso pseudo-escolástico disfarça o ridículo, típico daquele velho padreco de aldeia amigo da mesa dos poderosos locais que exorta os fiéis a votar no protegido do coronel local sob a ameaça do inferno no além, ou cá. 

Mas nem foi preciso esperar pela conclusão das eleições para que o expoente máximo do cuckatolicismo franco-tabajara fosse desmascarado pela realidade que desde sempre tentou ocultar e vender como o menor dos males, isso ainda antes do primeiro-turno:




Pois bem, graças a Carlos Nougués ficamos a saber não só que São Tomás de Aquino votaria no Bolsonaro, mas sobretudo que está de acordo com que os princípios maçónicos sejam levados para senado brasileiro e que, para o bem de todos nós,  deseja que o "GADU" nos proteja. Enfim, não esqueçam que havia mais opções no primeiro turno. Em breve vos mostrarei que há uma boa opção para o segundo turno que não passa por votar em nenhum dos dois canalhas que disputam as eleições. 

Os católicos, tão expeditos e servis em seguir as ordens de líderes de manada como o padreco Paulo Ricardo e o já citado tomista, além de outras bestas quadradas que me envergonham ao máximo enquanto católico (volta Cardeal Richelieu!), já são tratados como merecem pelos seus novos amiguinhos maçons e podem sentir um gostinho do que os espera nessa corrida em direcção ao abismo. Logo a seguir ao resultado o cristão Bolsonaro, grato aos cuckatólicos, esqueceu de os mencionar nos seus agradecimentos, contudo, lembrou dos evangélicos (e até mesmo dos caminhoneiros), afinal, o apoio do abortista Edir Macedo e de toda a canalha pastoleira, incluindo o tal "pastor" que o baptizou em Israel, foi essencial, ou melhor, é parte fundamental da estrutura em torno dele.



terça-feira, 9 de outubro de 2018

Bravo, Amoedo! Na dúvida, siga o exemplo dos banqueiros...

Apesar da cara, de bobo ele não tem nada.


Os bobos não perceberam a realidade implícita na decisão de João Amoedo de não apoiar nenhum candidato no segundo turno, tanto os bobos da direita como os da esquerda. Eu, que acho que não tenho nada de bobo, apesar de me considerar um principiante, só reforço a minha convicção do que está a ser preparado para o Brasil com a jogada de Amoedo.

Amoedo sabe muito bem que, não importando o vencedor, o resultado será catastrófico para o Brasil e excelente para os banqueiros, afinal, foi nisso que os seus colegas apostaram ao investirem tanto para que houvesse um segundo turno Bolsonaro vs Haddad. Bom para ele enquanto investidor, pois sabe quando deverá voltar a comprar, e também enquanto homem político, afinal, não terá nada a ver com a catástrofe iminente e pode se preparar para futuras eleições num quadro onde o país estará ainda mais dilacerado e desesperado por soluções mágicas. E ninguém melhor do que um banqueiro, depois de já se ter tentado de quase tudo, para fazer a tal mágica, ainda mais depois do cansaço que se espera em relação às tais lideranças carismáticas. E quanto pior estiver o país, maiores serão as possibilidades de Amoedo para abocanhar o que sobrar. É uma possibilidade em aberto.

Incrível que tantos conhecedores da "mentalidade dos mercados" não percebam isso. Alguém acha que Amoedo perderia a oportunidade de se juntar ao vencedor, ainda mais agora que todo o apoio é necessário e os termos que as duas candidaturas têm a oferecer são bastante tentadores? Lógico que não. Mas dessa luta não sairá nenhum vencedor, ao menos quando pensamos nos dois grupos que disputam as eleições.

Qualquer governo que saia dessa eleição está condenado, no mínimo, ao total fracasso governativo, e é muito provável que seja ainda pior. Vos prometo escrever um post a respeito do meu posicionamento e da minha leitura da situação em breve. Até lá, mantenham a calma. Estão fazendo de tudo para criar pânico em massa. De um lado, falam em ditadura fascista, e do outro em ditadura comunista. O perigo é outro e ele reside justamente na possibilidade de se vergar o Brasil através da divisão.

domingo, 30 de setembro de 2018

12 Razões que me levam a optar por Ciro Gomes



1 - Vai retomar as concessões vendidas a preço de liquidação pela Petrobrás de forma responsável, ou seja, indemnizando os compradores pelo preço que pagaram e pelos investimentos já feitos.

2 - Impedirá que a Embraer seja engolida pela Boeing.

3 - Quebrará o cartel bancário, fragmentando o sector e instaurando um verdadeiro mercado concorrencial, usando os bancos públicos como alavanca e garantia.

4 - Despolarizará a sociedade com um pacto nacional de desenvolvimento a longo prazo, beneficiando a classe média, o pequeno empreendedor e a população carente com uma reforma fiscal que vai onerar os grandes rentistas, actualmente não apenas beneficiados por isenções aberrantes, mas eles próprios beneficiários da opressão fiscal por via dos juros sobre a dívida e acesso privilegiado aos recursos públicos, em favor de um alívio nos impostos sobre consumo e sobre a renda de toda a classe média.

5 - Voltará a financiar a pesquisa de ponta, a educação básica, a formação científica, a indústria de alta tecnologia e a indústria bélica.

6 - A nível geopolítico, seguirá o caminho gradual para que o Brasil assuma uma posição no Concerto das Nações com pragmatismo. Ciro sabe que não se pode voltar as costas a nenhuma das grandes nações e que a independência brasileira, hoje mais do que nunca, depende do equilíbrio de poder. Por outro lado, compreendeu que o Brasil terá de assumir uma papel mais activo na América do Sul se não quiser que outras potências preencham o vácuo actualmente existente.

7 - Combaterá a criminalidade, um problema que já tomou proporções que colocam o futuro do Brasil em causa, com um maior foco na inteligência, integrando a esse esforço medidas de repressão e medidas sociais preventivas.

8 - Ciro abdicou de ser um déspota iluminado com pretensões de reformar os costumes de uma nação. As posições de Ciro, naquilo onde mais me choco com ele, que é a área dos costumes e da religião, tornam-se assim meramente uma questão pessoal. Sua visita a Aparecida foi um tributo prestado aos católicos e demais cristãos brasileiros. 

9 - Fará uma reforma política, dentro do que é possível, para a reforma do sistema eleitoral, permitindo que os actuais políticos não se oponham em massa contra ela e abrindo espaço para uma renovação da classe política em 20 anos.

10 - Acabará com os criminosos privilégios que corrompem o judicário, o legislativo e o executivo, assim como toda a administração pública, sem atacar os direitos adquiridos, o que poderia abrir um precedente cujo potencial é ainda mais perigoso do que o problema em si. 

11 - Todas as outras opções não são apenas más opções, mas significam o desastre. Más opções foi o que tivemos em todas as eleições passadas. Agora já não há margem para erro. O Brasil não é um planeta, mas sim uma nação num planeta cujo quadro geopolítico está se alterando rapidamente. Temos de escolher entre a sobrevivência e a restauração, e apenas Ciro oferece isto, ou o caos.

12 - Quebrará os oligopólios que actualmente cartelizam os meios do comunicação de massa, instrumentalizando-os em prol das agendas políticas que trouxeram o Brasil ao actual impasse e podem levá-lo até mesmo a uma guerra civil.