Os últimos anos foram de intensa mudança para mim. À luz de várias descobertas, acabei por abandonar de vez a ilusão liberal, ainda que no meu caso fosse uma ilusão bem mais madura do que a da generalidade dos liberais, e também mudou a imagem que possuo do mundo e de qual deve ser a nossa posição, se quisermos sobreviver e, se tivermos sucesso nisso, sonhar e prosperar com dignidade.
Porém, no que toca a economia, nessa área, ao menos no que chamam de macro-economia, estou satisfeito há anos pois o que absorvi em décadas de viés economicista foi suficiente para perceber o que é útil para compreender a realidade e o que é falso, ou melhor, propaganda. Para um economista, tudo isso parecerá exagero, mas tal se dá pois os economistas são tão ignorantes da História quanto a maioria esmagadora dos historiadores são ignorantes da economia. Um famoso economista português, ex-liberal convertido a não-sei-o-que, escrevia há anos defendendo que o absolutismo era uma tradição portuguesa enquanto há uns tempos atrás, para dar um exemplo contrário, discuti com um famoso historiador a respeito de alguns dados trimestrais que ele apontava como prova do triumpho da política económica passinhas/portas e fiquei envergonhado por ele. Apesar de não saber a diferença entre défice da balança de pagamentos e da balança comercial, e entre essas duas e o défice orçamental, escrevia sobranceiro a respeito da economia ser uma ciência menor. De facto é, mas ele nem sequer chegou a entender a tal ciência menor e se coloca numa posição semelhante à "das gajinhas da esquerda"...