terça-feira, 27 de maio de 2014

Yo no creo en brujas...

 
 Agora já não dá para culpar o bin Laden...

A visita de vassalagem, com direito a homenagem a Theodor Herzl, acabou em grande e até teve direito a fogo de artifício, mostrando o que nos espera se capitularmos diante do sionismo. Os cristãos palestinos e sírios que o digam:

¿Pedían un signo? – LA GRUTA DE LA NATIVIDAD SE PRENDE FUEGO TRAS LA VISITA BERGOGLIANA

sábado, 24 de maio de 2014

Reizismo: doença infantil dos monárquicos (liberais)



Hoje dei de cara com uma manifestação de reizismo que muito me surpreendeu, ainda que não tenha ficado abalado. Os monárquicos brasileiros constituem um dos grupos mais activos na denúncia da demolição do Brasil, incluindo a questão indígena, problema criado por interesses globalistas com o intuito de justificar uma futura gestão privada da Amazónia em nome da comunidade internacional, porém, não conseguem dizer o nome dos cabeças desse movimento, à excepção dos Rockefellers da vida, pois a maior parte deles é constituída por monarcas.

Para um tradicionalista, isso não constitui problema, mas esses ainda são uma minoria entre os monárquicos brasileiros, resignados à opção liberal devido às circunstâncias locais, em que uma suposta independência sepultou um mítico Brasil "colónia de exploração" e inaugurou uma monarquia genuinamente brasileira fundada numa constituição liberal. Admito que os resultados alcançados nalguns pontos, como a estabilidade administrativa e política, especialmente nas últimas quatro décadas (mas não esqueçam as três décadas de guerra civil intermitente), foi extraordinário se os comparamos aos feitos republicanos, porém, a verdade é que a monarquia brasileira liberal foi também uma farsa e fracassou, caindo sem que um tiro fosse disparado e deixando todo um povo desamparado diante da sanha daqueles que sob a monarquia já eram fortes, mas ainda encontravam alguns limites, transformando-se depois na oligarquia parasitária cuja obra está à vista de todos: uma nação sem coluna vertebral, apesar do seu gigantismo e do seu potencial, vulnerável a qualquer tentativa de partilha do seu território, o que acontecerá tão logo as condições internacionais favoreçam tal passo, e ainda mais dependente dos bancos internacionais.

Porém, até agora os monárquicos brasileiros se calavam, por pudor, diante das constantes visitas - e do financiamento - de figuras como o eterno Príncipe de Gales aos territórios e populações fronteiriças sob influência do globalismo, fazendo de conta que nada de mal se passava. Mas parece que o pudor se foi. Há pouco, li uma homenagem da Causa Imperial à visita do globalista Harald V da Noruega a uma aldeia "ianomâmi", destinada a legitimar e propagandear uma farsa "generosamente" financiada pela erário da sua nação:




Harald, monarca de um estado engessado e de súbditos dos quais podemos dizer com toda a propriedade o mesmo que disseram romanos dos gauleses, gallus quoque in bellis floruisse audivimus, cuja sorte é ter uma população exígua e recursos naturais abundantes, como o petróleo, sobrevalorizado pela manipulação do mercado cuja base é a máquina de guerra do atlantismo, o que permite um rendimento que faz da Noruega uma espécie de emirado em território europeu, ostenta um belo currículo, fazendo parte do Conselho dos 300 e da WWF, entre outros clubs para cavalheiros discretos, e estando por detrás várias ONGs ligadas ao governo da sua nação em operações de financiamento e treinamento de grupos separatistas na Amazónia, como o CIMI, a Comissão Pró-Ianomâmi, o Conselho Indígena da Amazônia Brasileira, a Organização Pró-Amazônica Nativa, o Instituto Socioambiental e a Rain Forest Foundation. 

Diante de tal facto, mandei um comentário de repúdio a essa homenagem anti-patriótica, para não dizer criminosa. Mas lá, tal como cá nessas associações reizistas tomadas por aventais e outros seres obscuros, a verdade é censurada. Dos dirigentes dessas associações nada espero, a não ser o mal, e por isso é preciso combater a base do poder que essa gente possui sobre grande parte do povo com tendências monárquicas, o reizismo, doença infantil dos monárquicos. Por mais paradoxal que pareça, a verdade é que o apego dos liberais pelas monarquias modernas da Europa Setentrional não passa de um fetiche revivalista de pessoas levadas a aderir a tal macaqueação de monarquia por capricho, como fica claro, por exemplo, nas figurinhas que circulam no âmbito do PPM. Apesar de falarem todos em constituição, como se não tivesse havido sempre uma constituição, a verdade é que a única coisa que têm para dar e os distingue dos defensores da actual república liberal é o culto ao rei, seja ele quem for, afinal, se é rei, é bom. 

Da minha parte, quero distância disso. Nunca gostei dos contos da Disney e é justamente isso o que vejo nas tais monarquias moderninhas. Não é por acaso que Sir Elton John foi o compositor de um famoso "requiem" para a actual casa ocupante do trono britânico. Diziam os antigos que gosto não se discute, mas eles não conheceram a monarquia britânica:



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Pacto suicida

Isso não vai acabar em "happy end".

Há artifício por detrás da imbecilidade aparente da política de sanções económicas à Rússia, cujas exportações são estratégicas para o Ocidente e cujas importações podem ser substituídas recorrendo a uma política proteccionista ou se abrindo à China. A opção por tal política já deu resultados concretos, como se pode verificar nas útimas noticias:




O que se conseguiu aqui foi uma espécie de pacto suicida entre o Ocidente ocupado e a Rússia. O Ocidente ocupado, em processo de desindustrialização devido à política de abertura comercial à China esclavagista e engessado por um sector público parasitário, que em troca do confisco tributário cria mais dívidas e impede o homem que não está ligado à "máquina" de exercer os seus dons e atingir os limites do seu potencial, graças a um regime imposto e mantido pelos monopólios (que desejam estender os seus privilégios a todos os sectores da actividade humana), fica ainda mais debilitado pois a sua fracção europeia terá de pagar ainda mais caro do que já paga pela energia, enquanto a sua fracção americana será obrigada a "competir" (sobreviver é mais adequado) com uma indústria chinesa ainda mais competitiva devido à reducção dos custos de energia.

Por outro lado, pode parecer que a Rússia fica a ganhar, mas a verdade é que optou pelo menor dos males. A curto prazo, conseguirá manter o seu rendimento e diminuirá o poder negocial do Ocidente, mas a longo prazo aumenta o desbalanço de poder, que já é favorável, em relação à China. O arsenal nuclear russo poderá garantir a segurança da Rússia durante mais algum tempo, talvez duas décadas (acredito que menos), pois é mais do que garantido que a potencia tecnológica em que a China se transformou conseguirá quebrar os actuais paradigmas da guerra com soluções técnicas. A China já forma, há mais de uma década, mais engenheiros por ano que todo o Ocidente e o seu número não pára de aumentar. Por outro lado, para além de estarmos a falar de um povo muito engenhoso, famoso pela sua originalidade, a China possui a melhor inteligência do mundo a nível de roubo de propriedade intelectual e tecnologias e ninguém iguala a sua engenharia reversa, velha de décadas e recheada de feitos dignos de admiração. 

A pergunta a fazer é a seguinte: a quem interessa, para além da China, que não determina a política russa e do ocidente, tal pacto suicida, ainda que não fosse ele o plano A na sua agenda? Se quisermos responder a pergunta,  teremos de procurar pelos grupos de poder com capacidade para influenciar os rumos desses três actores...    

terça-feira, 20 de maio de 2014

Receita para desintoxicação das "más ondas" dos paus mandados da política, com destaque para os do BE

Nem precisam de cores...

Uma das experiências mais gratificantes da minha vida foi viver em Itália por mais de um ano, experimentando a sensação de estar em locais famosos por eventos passados há mais de dois mil anos. Estar num local onde sabemos que ocorreu uma grande batalha, conhecendo os detalhes que à maioria não interessam, nos faz viajar no tempo e ter visões. Devido ao meu interesse prematuro por Roma e pela Grécia, gravei na memória a fisionomia dos grandes vultos da antiguidade e tal característica foi logo percebida pela minha namorada na altura, uma holandesa que estudava grego e latim e amava o Mediterrâneo, levando-a a inventar um jogo. Quando íamos a um museu ou nos deparávamos com um busto da antiguidade, ela cobria a placa e eu deveria "adivinhar" quem era. Quando se tratava de imperadores, senadores destacados ou generais, nunca me enganava. Aquilo era quase como ter de adivinhar os nomes de gente da própria família.

Ligeirezas à parte, notei que os bustos dos homens notáveis da antiguidade exerciam sobre mim uma espécie de efeito relaxante, retirando-me da atmosfera intoxicante do mundo do zapping e da constante actividade sem propósito e elevando-me a outras esferas, em que realmente podia contemplar a grandeza desses homens notáveis. Conversando com alguns amigos, mencionei-lhes o facto e pedi para que experimentassem fazer o mesmo, e funcionou. Obviamente, só partilhei isso com quem nutria o mesmo interesse que eu pela História, mas  acredito que os que se interessam pelo que se escreve cá partilham do mesmo interesse, à excepção dos paus mandados de um sujeito qualquer que há umas décadas era astrólogo profissional e enganava viúvas.

Assim, como pedido de desculpas por vos ter lembrado de alguém tão pequeno no post anterior, vos presenteio com o busto de Cícero. Para aumentar o poder da desintoxicação, sugiro a leitura das catilinárias (aqui) ao som do alegretto da 9ª de Beethoven (aqui).

Apocalypse Now: BE quer surfar.

Melhor que surf? Só o cheiro do parlamento depois de um ataque de napalm...

Dos políticos pertencentes aos partidos do regime (BE, PCP, PDS, CDS-PP e PS), já não espero nada. Tudo o que dizem não passa de banalidade que só os que ficaram presos mentalmente nos tempos de faculdade podem levar a sério. Isso também se aplica ao que é dicto pela maioria esmagadora dos jornalistas e académicos, mas entre esses há excepções e gente de muita qualidade. O mesmo não posso dizer dos políticos dos partidos: os melhores entre eles têm capacidade cognitiva para o ensino primário, mas é melhor mantê-los longe do ensino primário pois ele exige personalidades mais nobres.

Posso dar exemplos de homens de qualidade que passaram pela política, mas estes, ao perceberem que a actual política é o que é e não há nada a fazer por dentro dela, trataram de se afastar desse meio mal frequentado. O fardo de conviver com tantos cretinos tagarelas, ainda por cima cheios de si, é algo que nenhuma honraria ou dinheiro pode compensar. 

Apesar desse guarda chuva mental me proteger das secreções vocais dos paus mandados da política, por vezes me detenho sobre o que eles dizem, dedicando alguns segundos de reflexão, o que é mais do que suficiente para compreender as banalidades dessa gentalha, às suas "ideias". Foi o que fiz há poucos minutos em relação à proposta da cabeça de lista do bloco de esquerda nas eleições para o parlamento europeu, na qual farei questão de votar no PNR, o único partido que defende a soberania pátria, que na minha perspectiva é o assunto mais urgente da pauta de problemas que enfrentamos (atenção, isso é uma decisão pessoal e não falo em nome do blogue).

A imbecil, numa conjuntura internacional em que conjecturar a hipótese de uma guerra mundial recheada de revoluções e guerras civis é um dever de qualquer pessoa sã e interessada em sobreviver,  propõe introduzir o surf nas escolas. Não estou a inventar e acredito sinceramente na fonte, até porque se trata do bloco e esses conseguem superar a todos em cretinismo:

Bloco de Esquerda quer introdução do surf nas escolas

Estou longe de ser um liberal, apesar de concordar com todas as tautologias que esse defende como bandeiras. No caso do surf, ainda que esse fosse um assunto com importância para ser mencionado na vida política, tudo o que vejo é que o surf em Portugal vai muito bem pois o raio dos políticos ainda não resolveram se meter ali, deixando uma actividade inócua e sem valor estratégico ou social aos cidadãos que por ela se interessam, como deveria ser em todos os casos. Na minha actividade, se tivesse a liberdade de que gozam os que se dedicam ao surf, estaria muito bem e criando riqueza, empregos e espalhando um conhecimento que pode nos trazer grandes melhorias a todos os níveis. Até confesso que gosto do surf, tendo já experimentado e estando determinado a practicar assim que tiver uma vida mais tranquila, afinal, sou um amante do mar e de todas as actividades relacionadas a ele (excluindo a pirataria ou os cruzeiros gay).

Portanto, quero o bloco de esquerda e todos os políticos bem longe do mar. Assim, peço licença ao coronel Kilgore e faço minhas as suas palavras para dar um recado bem claro à tal mocinha do BE que deseja uma mama em Bruxelas: Charlie don't surf!  

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Palavras de um padre a respeito da guerra (e da política...)

Meninos de coro barbados? Nos tempos da Conchita, isso já não choca...

Aos poucos tenho retornado ao meu ritmo ordinário e vou arranjando tempo para fazer mais leituras. Aproveitei para tomar ciência do que andam escrevendo a respeito da crise ucraniana e reparei que, apesar do mundo não parar e nos lembrar constantemente que o que parece muitas vezes não é, ainda mais no mundo da política, a maior parte das pessoas continua a formular ou reformular as suas convicções a partir de factos isolados, ao invés de olhar para o conjunto. Mais grave é a atitude daqueles que se fazem passar por grandes sabedores dessas coisas, procurando uma posição de equidistância de modo a ganhar pontos com as duas facções que vão surgindo da polarização das opiniões em torno da crise. A verdade é que mais não fazem do que lavar as mãos e aumentar a confusão. Precisamos estudar a Rússia para conhecê-la tão bem quanto conhecemos o Ocidente e  poder avaliar a posição interna do seu presidente, que é bem mais frágil do que parece. Nessa posição, é bom lembrar que a guerra, ainda mais quando consideramos o duplo desafio sionista/chinês que a Rússia deverá enfrentar nas próximas décadas, interessa, e o momento ideal é agora. Assim, fica a pergunta: por qual razão Putin estabeleceu uma linha vermelha bem clara na Síria? Não interessava a ele que o Ocidente se metesse em mais uma guerra, que acabaria por envolver o Irão e dificultar a vida das tropas ocidentais no Iraque e no Afeganistão, para depois desferir um ataque surpresa? Bom, essa é apenas uma questão entre dezenas que mostram que não é com umas declarações e algumas leis que podemos tirar conclusões a respeito de um assunto que é complexo até mesmo para os actores envolvidos, apesar de toda a inteligência que podem recolher.   

Com isso em mente, faço questão de cá deixar algumas palavras escritas há quase 500 anos pelo Padre Fernando Oliveira na sua Arte da Guerra do Mar. Talvez os meninos de coro aprendam alguma coisa. É bom lembrar que os nossos adversários e/ou potenciais aliados são mestres nessas artes e ninguém entenderá nada e poderá agir com segurança sem isso em mente:

Antes q me esqueça q~ro tirar h~ua duuida q~ algus escrupulosos  buscão nesta materea, da qual não fora muyto firme se o teuera de co~dição, mas não macostumo rir de nada, porq~vejo muytos risos e esses preualece~. Manha he de fracos e preguiçosos, buscar achaques pera nam fazer o que deue~ e lhes cumpre conforme ao prouerbio vulgar que diz. Achaques aa coresma por nam geju~ar. E Salamam diz. O preguiçoso por nam sair de casa, adeuinha que na rua estaa hum liam. Preguntam estes se he licito vsar de manhas na guerra, e armar celadas. As quaes assy se deuem pronunciar e nam ciladas, porque celada que dizer cousa encuberta e escondida diriuandosse de celare verbo latino que quer dizer encubrir, e cilada nam tem donde venha senam do costume vulgar e corruto. A mesma rezam tem pera se nomear a celada arma que cobre a cabeça quasi como gualteyra. Se he licito ou nam vsar na guerra de manhas, astucias, e dissimulações, e celadas, sam Thomaz o disputa, e conclue que sy, e tem rezam, porque sam estes documentos desta arte militar necessarios pera conseguir o fim della, collegidos da experie~cia que os home~s entendidos nella fazem como se faz nas outras artes/ os documentos dos quaes foram tirados, e se tiram hoje em dia do que os home~s nellas esprementam e entendem competir a seu fim e tençam, sem os quaes documentos e imitaçam delles nam se pode conseguir fructo das dictas artes, e sendo ellas licitas a doutrina e adminiculos dellas, sam licitos. Na artedo disputar todos os preceytos que ensinam arguir sam licitos, posto que pareçam ser importunos e que ensinam enganar, porque sem elles seraa essa arte manca e imperfeyta e nam saberemos desfazer os empecilhos daquelles que co ella nos querem conuencer. Na agricultura senam romperem a terra, se nam cortarem os ramos sobejos e arrancaremnas eruas brauias, senam armarem aos bestigos e os materem, nam haueraa criançam nem se colheraa fruycto, e para se colher he necessario fazer algu~as cousas que parecem ser mal feytas mas namno sam porque sam necessarias pera conseguir o fim da boa arte que vsamos. Esta arte da guerra he licita e necessaria, como fica dicto na premeyra parte/ pera conseruação da paz, e quietaçam e emparo da reepubrica, e a sua tençam de hauer victoria, porque sem victoria nam poderemos conseruar a justiça e paz que pretendemos, e sendo assy cumpre vsar de todos aminiculos que para isso conduzem e aproueitão. Hora poys per experiencia sabemos, nossa e doutros muytos, que as cautellas, e dissimulações/ e astuciosas manhas e celadas conduzem na guerra pera alcançar victoria, e cumpre vsar dellas, e sem ellas he riso fazer guerra, porque na mão estaa namvsando nos dellas, leuarem os imigos o milhor, e vencerem, e estragarem nossa quietaçam. Senam quanto seria milhor nam fazer guerra os que nam determinam vsar das manhas della, porque nam prouoquem seus contrayros a sanha, nem lhe dem causa a lhe fazerem os damnos acostumados nella. Milhopr seraa aos taes soltar em paz sua justiça, poys lhe nam parece bem fazer tudo o q~ cumpre pera a defender, e querella defender sem o fazer/ he o de que me quisere rir se fora de minha condiçam e mays porque me lembrou a deuaçam desaçazoada dos que haue~do descaramuçar se deciam dos cauallos a diser em giolhos senhas auemarias...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Comentários adicionais ao Post sobre a Ucrânia

Não é nada disso. Liberais é que têm fetiche por 
ditar constituições e redesenhar mapas a esquadro e com... régua!

Em conversa privada com um amigo, reparei que o conteúdo do meu último post poderia passar por proposta revolucionária, ao menos para os olhos de quem não sabe o que é a concepção tradicional de estado que um tradicionalista tem em mente quando fala em estado. Grande parte dos liberais, infelizmente, parece ter dificuldade em entender essa concepção (quando entendem deixam de ser liberais e passam a tradicionalistas, como eu e tantos), afinal, já lhes explicamos milhares de vezes o que temos em mente e ainda assim eles continuam a debater contra uma miragem.

Ao aceitar a possibilidade de se (re)constituir uma Grande Alemanha e uma Grande Polónia-Lituânia, não tinha em mente a formação de estados unitários segundo o modelo liberal, seja na sua variante centralista, como em França, ou federalista, como nos EUA. Quanto ao primeira, os próprios liberais aceitam que se trata de um modelo autoritário desde a concepção, quanto ao último, ainda aceitam a visão idílica da realidade americana, como se lá hoje não estivesse o presidente, armado de poderes supra-constitucionais concedidos pelo legalmente aprovado Patriot Act, a desarmar e a submeter directamente à presidência as guardas nacionais dos vários estados federados. Por muito menos estourou a primeira guerra civil americana, cujo resultado deixou bem claro que a constituição nunca passou de uma garantia em papel emitida em troca da criação daquilo que foi o instrumento com o qual as elites locais, associadas às elites internacionalistas, esmagaram a oposição à nova ordem: o Estado Federal. 

Tinha em mente o que qualquer tradicionalista tem em mente ao tocar no assunto, ou seja, um estado que seja uma unidade quando observado desde uma perspectiva exterior, mas que no seu interior seja uma espécie de confederação de cidades, regiões e povos, cada unidade organizada de acordo com o que a experiência provou se adequar melhor a sua índole, condições materiais, tradições históricas, dentro do espectro de variações amplo, ma non troppo, que a civilização católica permite, ou seja, tudo aquilo que não ofenda a concepção de justiça inerente ao cristianismo. 

Assim, quando penso numa Grande Alemanha, penso numa Alemanha poderosa perante o exterior, mas cuja existência sirva para garantir a independência das suas partes, e não para as submeter ao mesmo molde, ainda que com a "atenuante" federalista. No caso de uma Grande Polónia-Lituânia, a necessidade de um arranjo semelhante seria ainda mais necessária devido às condições locais. Poderiam alguns argumentar a inutilidade, num tal quadro, de se constituir os tais grandes estados, afinal, poderia se garantir o mesmo com uma aliança militar. Porém, ainda que tal arranjo não oferecesse o risco de se provar inútil em tempos de verdadeira crise e despertasse a desconfiança do outro lado em tempos de paz, e é isso que temos visto ao longo da história em tais alianças, precisamos lembrar que do outro lado está a Rússia e que o poder de mobilização desta exige que haja um mínimo de poder material e coordenação do outro lado, o que só pode ser garantido com um exército permanente razoável que nenhum dos fragmentos do que poderiam vir a ser a Grande Alemanha e a Grande Polónia-Lituânia pode manter.

E, o que é mais importante, a experiência histórica das terras em questão mostra o que acontece quando não há coesão suficiente. É assim desde os tempos dos citas e sármatas.