Não apenas imbecis incorrigíveis, mas sobretudo inimigos conscientes dos interesses brasileiros!
Muito critiquei o general
Mourão e o general Heleno durante a campanha presidencial, mas as acções destes
desde o primeiro dia da presidência me convenceram de que são homens de
confiança e patriotas sinceros com os quais o Brasil pode contar, tal e qual pôde
contar anteriormente com o sagaz e paciente General Villas-Bôas.
É uma ironia que hoje os
próprios militares, apesar de toda a campanha de desestabilização conduzida em
parte sob a retórica da intervenção militar contra as instituições vigentes
promovida nas redes sociais, com amplos recursos, sejam hoje aqueles que, por
meios constitucionais, estão salvando a democracia brasileira.
O que conseguimos, em meros 25
dias, graças à política externa olavo-bolsonarista, para além da vergonha e da
diminuição de estatuto na balança do poder mundial? A instalação de uma base
russa na Venezuela, a perda de influência sobre todos os países da zona
(incluindo Cuba), o aumento da pressão americana sobre a Colômbia e um impulso
para que as forças centrífugas no continente sul-americano empurrem os vários
países da zona em direcções distintas. Se assim continuar, logo haverá bases
russas, chinesas e americanas distribuídas por todos os nossos vizinhos e,
possivelmente, um aumento da influência europeia nas Guianas, ou seja, teremos
na América do Sul um cenário semelhante ao encontrado na África sub-saariana.
No quadro de degeneração do
tecido social brasileiro, e de fractura ideológica que só tende a aumentar sob
uma presidência cujo discurso inaugural já foi uma declaração de guerra (com
direito ao gesto pueril do "revólver do mito"), isso não augura um
bom futuro, especialmente na Calha Norte do Amazonas. Aqui na Europa, por
exemplo, a campanha pela internacionalização da Amazónia ganhou impulso com as
medidas contra o meio ambiente e os direitos dos povos indígenas do novo
governo (relacionem isso
com as posições de Bolsonaro relativamente à soberania brasileira na Amazônia).
Há poucas semanas escrevi um
post em que expressei algumas críticas à política externa olavo-bolsonariana e
expressei, de forma implícita, algumas das minhas ideias sobre os caminhos que a política externa
brasileira deveria seguir.
Pois bem, muita coisa aconteceu desde então. Vladimir Putin, como reacção à ingerência descarada nos assuntos internos da Venezuela pelos EUA e pela União Europeia,
legitimando uma tentativa de golpe concertada de antemão para isolar ainda mais
o governo venezuelano e provocar o caos social e político (não me tomem, apressados, por um ferrenho defensor de Maduro, mas apenas por um "vestfaliano e realista" nas relações internacionais), aumentando a pressão
sobre o governo local e estimulando a deserção nas forças reunidas em torno de Maduro,
pressão que, conhecendo os métodos do Deep State americano, deve passar pela
sedução de comandantes militares com promessas financeiras generosas (lembrem do
que se passou no Iraque e na Síria), resolveu jogar duro lançando mão da
empresa de segurança Wagner Group, que para lá enviou 400 operacionais por
intermédio de Cuba. Uma tacada de mestre pois ao mesmo tempo que garantiu a
Maduro uma segurança extra (e leal), permite salvar a face do actual governo
americano em caso de recuo deste, já que não foram usadas forças do exército russo, e
ao mesmo tempo incentiva Washington ao diálogo construtivo enfatizando uma
realidade que reforçará os sectores internos racionais frente ao Deep State: a
intervenção americana na Venezuela será um desastre militar assegurado já que
as esperanças de que haja um golpe contra Maduro caem por terra de uma vez por
todas.
Tivesse o Brasil
seguido a sua política externa tradicional, nada disso seria necessário pois os
EUA jamais tentariam tal acção sem construírem primeiro o consenso político na
região, ou ao menos sem a concordância da Colômbia e do Brasil. O Brasil
poderia, numa política mais ousada, pressionar Maduro, em privado, a aceitar algumas
reformas, ou mesmo uma transição política, assumindo o papel de fiador da
soberania venezuelana (e, por implicação, de todas as nações da América do Sul), saindo engrandecido.
Em contrapartida poderia muito bem ter conseguido uma maior integração económica com aquela importante nação, tão rica em potencial material e tão estratégica em termos de recursos energéticos, e tudo isso sem se chocar de frente com os EUA, apenas direccionando discretamente, por estímulos, a política externa do gigante do Norte para uma postura mais pragmática e afastada das tendências que a hybris imperial de sectores do Departamento de Estado, do Pentágono e do complexo industrial-militar, este último uma máquina com vida própria movida por interesses económicos imediatistas, promove. Ao invés disso, ficamos a perder em favor de Moscovo. Quanto à base naval prometida à Rússia por Maduro, esta não tem interesse real nela, a não ser para mostrar a sua determinação em fazer frente ao Deep State e não deixar que o espaço seja ocupado por outra potência (leia-se China). E digo mais.
Com uma política externa de longo prazo voltada para o interesse nacional, o Brasil poderia ter conseguido o direito de instalação de uma base naval no Mar do Caribe, aumentando a sua influência sobre essa área chave do mundo (leia-se Canal do Panamá).
Em contrapartida poderia muito bem ter conseguido uma maior integração económica com aquela importante nação, tão rica em potencial material e tão estratégica em termos de recursos energéticos, e tudo isso sem se chocar de frente com os EUA, apenas direccionando discretamente, por estímulos, a política externa do gigante do Norte para uma postura mais pragmática e afastada das tendências que a hybris imperial de sectores do Departamento de Estado, do Pentágono e do complexo industrial-militar, este último uma máquina com vida própria movida por interesses económicos imediatistas, promove. Ao invés disso, ficamos a perder em favor de Moscovo. Quanto à base naval prometida à Rússia por Maduro, esta não tem interesse real nela, a não ser para mostrar a sua determinação em fazer frente ao Deep State e não deixar que o espaço seja ocupado por outra potência (leia-se China). E digo mais.
Com uma política externa de longo prazo voltada para o interesse nacional, o Brasil poderia ter conseguido o direito de instalação de uma base naval no Mar do Caribe, aumentando a sua influência sobre essa área chave do mundo (leia-se Canal do Panamá).
Para além da cegueira
ideológica, o mesmo tipo de cegueira compartilhada pelos democratas imperialistas
reunidos em torno dos Clinton, dos republicanos neo-cons e, agora, dos
milenaristas representados por Steve Bannon, que está levando o império americano
para um fim abrupto, e que, no passado, deitou por terra abaixo o sistema de
Metternich ou, décadas antes, levou à intervenção externa na França
revolucionária, catapultando os jacobinos ao poder e abrindo espaço para o
terror de Robespierre, numa primeira fase, e depois para o expansionismo de Napoleão,
que trocou a guerra interna pela guerra de conquista (com as consequências nefastas que conhecemos), há outros factores a se
considerar.
Em primeiro lugar, cito
a incompetência.
Bolsonaro e Ernesto Araújo não estão a sós nesse ponto. Contam também com a “ajuda” do sicofanta Filipe G. Martins, um rapaz sem nenhuma cultura histórica, completamente formatado pelo olavismo, que deu mostras do que vale na recente edição do Fórum de Davos. Foi ele o responsável maior pelo fiasco bolsonarista, tão bem representado por um pífio discurso simplista e provinciano de 6 minutos seguido do total isolamento e desinteresse externo por uma presidência que estava, até então, em foco nos meios mediáticos internacionais. A falta de preparo, de ideias e de propostas acabou condenando o presidente de uma das maiores economias do planeta, recém-eleito e, volto a frisar, até então o centro das atenções de todo o mundo, a um evento insólito na história mundial: o almoço a sós num "bandejão" afastado dos olhares da imprensa. Fomos rebaixados ao estatuto do Tonga!
Bolsonaro e Ernesto Araújo não estão a sós nesse ponto. Contam também com a “ajuda” do sicofanta Filipe G. Martins, um rapaz sem nenhuma cultura histórica, completamente formatado pelo olavismo, que deu mostras do que vale na recente edição do Fórum de Davos. Foi ele o responsável maior pelo fiasco bolsonarista, tão bem representado por um pífio discurso simplista e provinciano de 6 minutos seguido do total isolamento e desinteresse externo por uma presidência que estava, até então, em foco nos meios mediáticos internacionais. A falta de preparo, de ideias e de propostas acabou condenando o presidente de uma das maiores economias do planeta, recém-eleito e, volto a frisar, até então o centro das atenções de todo o mundo, a um evento insólito na história mundial: o almoço a sós num "bandejão" afastado dos olhares da imprensa. Fomos rebaixados ao estatuto do Tonga!
Em segundo lugar, e aqui serei bem claro pois eu próprio, que sempre dei mostras do meu amor ao Brasil e ao mundo lusófono, fui acusado recentemente pelo guru desse gang de ser um agente de Moscovo, estamos diante de um caso de ingerência
externa descarada em choque frontal com o interesse nacional brasileiro.
O episódio do convite aos americanos para instalarem uma base no Brasil, felizmente desfeito graças à acção dos militares em torno de Bolsonaro, foi apenas a ponta do iceberg. Lembro que o mentor do clã Bolsonaro, que indicou Ernesto Araújo e Filipe G. Martins para a área de relações internacionais, não só é associado a gente ligada à inteligência romena (ver aqui, aqui, aqui e aqui), por sua vez instrumentalizada por sectores extremistas da inteligência americana (e lembrem ainda que um dos filhos de Olavo, o Gugu, vive na Roménia, onde é promovido por esses associados), como ele próprio, um mero intelectual sem influência em Bolsonaro segundo as suas palavras, esteve reunido com pessoal do Departamento de Estado americano, para onde levou o seu filho Pedro de Carvalho, um militar americano membro do USMC (no mesmo dia em que jantou com Steve Bannon!). Para que ele levou o filho Pedro, um energúmeno incapaz de proferir uma ideia coerente e que sempre manteve afastado das suas actividades enquanto “intelectual”, a não ser para tentar promover o rapaz como uma “ponte discreta” entre ele, o governo brasileiro e o Departamento de Estado americano, dar um empurrão na carreira do simplório e provar a quem ele deve lealdade? Por outro lado, Filipe G. Martins possui ligações de sangue com a inteligência israelita. Seu tio, um veterano da IDF, trabalha para a inteligência de Israel. Há uns anos, através de uma amizade em comum, soube disso, e também que o rapaz se gabava do facto em conversas em privado. Espero que os militares brasileiros, e a imprensa, investiguem isso.
O episódio do convite aos americanos para instalarem uma base no Brasil, felizmente desfeito graças à acção dos militares em torno de Bolsonaro, foi apenas a ponta do iceberg. Lembro que o mentor do clã Bolsonaro, que indicou Ernesto Araújo e Filipe G. Martins para a área de relações internacionais, não só é associado a gente ligada à inteligência romena (ver aqui, aqui, aqui e aqui), por sua vez instrumentalizada por sectores extremistas da inteligência americana (e lembrem ainda que um dos filhos de Olavo, o Gugu, vive na Roménia, onde é promovido por esses associados), como ele próprio, um mero intelectual sem influência em Bolsonaro segundo as suas palavras, esteve reunido com pessoal do Departamento de Estado americano, para onde levou o seu filho Pedro de Carvalho, um militar americano membro do USMC (no mesmo dia em que jantou com Steve Bannon!). Para que ele levou o filho Pedro, um energúmeno incapaz de proferir uma ideia coerente e que sempre manteve afastado das suas actividades enquanto “intelectual”, a não ser para tentar promover o rapaz como uma “ponte discreta” entre ele, o governo brasileiro e o Departamento de Estado americano, dar um empurrão na carreira do simplório e provar a quem ele deve lealdade? Por outro lado, Filipe G. Martins possui ligações de sangue com a inteligência israelita. Seu tio, um veterano da IDF, trabalha para a inteligência de Israel. Há uns anos, através de uma amizade em comum, soube disso, e também que o rapaz se gabava do facto em conversas em privado. Espero que os militares brasileiros, e a imprensa, investiguem isso.
E a figura de
Bolsonaro, ligado às milícias que executaram Marielle e envolvido em escândalos
de corrupção que só agora começam a ser investigados, favorece essa ingerência.
Nada é mais fácil do que pressionar alguém nem tal posição.
Por sorte, os militares foram astutos e hoje aplaudo a inteligência deles ao tomarem posições-chave na campanha eleitoral e no governo Bolsonaro. Não fosse pela acção dos militares presentes no executivo, teríamos uma presidência ainda mais fraca e dominada por interesses externos que mais não faria do que levar o país à submissão externa, à desordem político-social, à guerra externa, ao caos na América do Sul e, muito possivelmente, à guerra civil. Um bem haja a eles!
Aviso: Leiam o artigo O Guru e a Porcaria na última edição da revista Época, na qual pude dar o meu contributo. Faço apenas uma advertência. Onde está escrito "Estado Institucional" na minha entrevista, na verdade é "Estado Nacional". A minha dicção é difícil e a entrevista foi por telefone. Aproveito para agradecer aos jornalistas pelo excelente trabalho!
Por sorte, os militares foram astutos e hoje aplaudo a inteligência deles ao tomarem posições-chave na campanha eleitoral e no governo Bolsonaro. Não fosse pela acção dos militares presentes no executivo, teríamos uma presidência ainda mais fraca e dominada por interesses externos que mais não faria do que levar o país à submissão externa, à desordem político-social, à guerra externa, ao caos na América do Sul e, muito possivelmente, à guerra civil. Um bem haja a eles!
Aviso: Leiam o artigo O Guru e a Porcaria na última edição da revista Época, na qual pude dar o meu contributo. Faço apenas uma advertência. Onde está escrito "Estado Institucional" na minha entrevista, na verdade é "Estado Nacional". A minha dicção é difícil e a entrevista foi por telefone. Aproveito para agradecer aos jornalistas pelo excelente trabalho!







