sábado, 14 de junho de 2014

Enquanto falamos da Copa...

Esperemos que a de 2018 não seja assim.


Não fosse a Copa, penso que estaríamos todos bastante preocupados com a escalada da guerra no Oriente Médio e na Ucrânia. Nós últimos dois dias, ficamos bem mais próximos de um conflicto generalizado, e já estávamos bem próximos disso. Na Ucrânia, um avião das forças actualmente no poder foi abatido por um míssil anti-aéreo, resultando em 49 mortos. Parece que a fronteira que delimita a tensão armada e a guerra civil foi finalmente ultrapassada e isso abre uma série de novas possibilidades e aumenta a probabilidade de erro de cálculo.

No Iraque, assistimos a um avanço do ISIL/S, grupo que reúne remanescentes da inteligência do regime de Saddam e gente ligada ao "ficheiro alqaida", que não pode ser explicado sem se levantar a hipótese de um poderoso auxílio exterior, não só a nível de recursos materiais e treino, mas também de empréstimo de tropas especiais, artilharia moderna, aviação e inteligência. Sabemos que os wahhabis apoiam o tal grupo e que o Irão intervirá directamente no conflicto se o actual governo iraquiano não conseguir dar conta dos terroristas.

Pior do que isso, só se a tensão no Extremo Oriente aumentar ainda mais...

   

terça-feira, 10 de junho de 2014

Bons presságios



Depois da bandeira virada no 5 de Outubro, temos um presidente caído no 10 de Junho, e nem foi preciso empurrar.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Uma pequena lição de História

Sede da VOC: Comparem com a sede que a Apple vai construir...

Acabo de ler um excelente artigo que resume bem o desenvolvimento do "capitalismo". Num texto tão curto, é impossível desenvolver a fundo todos os pontos essenciais, ou sequer citar todos os factos chave, assim, farei apenas algumas observações para ajudar na compreensão do conteúdo.

Em primeiro lugar, lembro que houve uma mudança qualitativa essencial com a fundação do Banco de Inglaterra em relação ao Banco de Amsterdão pois o primeiro obteve o monopólio da emissão, aumentando exponencialmente o poder especulativo dos "insiders". Em segundo lugar, os confiscos das revoluções protestantes e a combinação do movimento das enclosures, cuja intensidade só aumentou desde a Revolução Gloriosa até o século XIX, e do uso das leis da pobreza em favor da oligarquia sedenta de mão-de-obra barata, tudo isso em combinação com a exploração monopolista das colónias do nascente império inglês, abriu o caminho para a constituição de corporações industriais que no espaço de um século fariam as poderosas corporações comerciais da era do mercantilismo parecerem anãs. 

Enganam-se os que imaginam que as corporações mercantis dos séculos XVII e XVIII eram mais poderosas que as corporações financeiras e industriais do século XIX e XX. É verdade que as anteriores possuíam frotas e exércitos privados, mas isso é porque ainda não dispunham do domínio total dos estados. E sabemos como funciona a lógica capitalista: não é melhor atirar o ônus da guerra aos cidadãos que pagam impostos absurdos e assim sustentam o parasitismo das corporações monopolistas do que pagá-las do próprio bolso e ainda ficar com má fama? Nesse ponto, acho que os capitalistas têm razão... 

Feitas as observações, vos desejo uma boa leitura:

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sexo, Sufismo e Mentiras: Quando Olavo é Traído por Sidi



Nesta publicação, o Prometheo Liberto traz ao público aquela carta dentre toda a correspondência trocada entre Olavo de Carvalho/Sidi Muhammad e Martins Lings que é a mais comprometedora. Nela pode-se ver Lings dando as solicitadas instruções a Sidi de como pagar o zakat (esmola), um preceito exotérico do Islã. Ora, se Sidi Muhammad fosse apenas sufi, como ele alega, estaria desobrigado de pagar o zakat, pois tal preceito só deve ser seguido pelos muçulmanos. Assim, a submissão de Sidi Muhammad ao preceito exotérico de pagamento do zakat é uma prova de sua conversão. Lings menciona ainda que Sidi era o líder da comunidade dele. Logo, cabia a ele decidir como usar o dinheiro arrecadado com o zakat. Dito isso, não há mais como sofismar sobre a conversão de Olavo ao Islã.
Outro fato desabonador sobre o passado do embusteiro consiste na afirmação de Lings de que as mulheres da tariqa eram iniciadas mediante intercurso carnal com pessoa do sexo oposto. Logo, os rituais da tariqa envolviam relações sexuais. Numa discussão travada com  Caio Rossi pelo Orkut, Sidi Muhammad disse que a tariqa do Schuon era uma esculhambação e havia troca de casais. Acrescentou que, mais cedo ou mais tarde, iria revelar os nomes do tariqueiros que faziam swing. Como Sidi é mitômano, essa informação isoladamente soaria pouco crível, mas após ler-se a carta de Lings, vê-se que é verossímil.  Desse modo, ficam as perguntas:

1) Sidi Muhammad só assistia à iniciação das mulheres ou também participava desse ritual? Sua esposa foi iniciada com o marido ou com algum outro homem?

2) 
Havia mulheres solteiras na tariqa. Quem as iniciava?  A Sharia não permite que uma muçulmana solteira tenha relações sexuais. Schuon permitia a violação da Sharia em sua tariqa ?

3) O que foi feito das crianças eventualmente geradas nesses bacanais sufi?

4) Qual o interesse honesto haveria em esconder uma supostamente abandonada conversão ao Islã?


Eis a transcrição dos originais da réplica de Martin Lings a consulta prévia do Olavo:

"Dear S. Muhammad.

Thank you for your recent letter. Here are the answers to your questions, and to those of Sa. Sahlah, during our telephone conversation.

1. The zakat is not an easy matter. In a general way it is 2,5 % of one's income after taxes, or if one has an independent fortune, one can tax the revenues derived from the interest or income that is drawn from it yearly. In cases of need, where the income barely covers the expenses of life, then one need pay no zakat, obsviously. The zakat can be collected and kept for emergencies, for fuqara who are ill or helpless, for travel to Bloomington, for fuqara who do not have enough to live on, etc. The leader of the community can decide how to use it -- in this case, you. Zakat is normally paid once a year, after Ramadan, but it is enough to pay once a year. Those who cannot pay money, can offer zakat in other ways: basically by helping others, in an informal manner. Those who feed others a great deal can also be considered to be paying a zakat.

2. Since there are only three of you who are initiated, you cannot chant the Name aloud. You may lead a chant of the Shahadah ( first Shahadah ) instead: 100, 300, 500 ... 1000 times. Then you may keep a long silence to invoke silently. The women do not have to be in a different room, simply in back of the men, as in Bloomington.

3. The woman is initiated by man during the sexual act - assuming no interference by birth-control devices. There is no initiation apart from this contact.

4. For the French editions of Understanding Islam and The Transcendent Unity, you must contact "Edition du Seuil" 27 rue Jacob 75261 Paris. As you know, one should use the 1979 edition ( the newest ) of Transcendent Unity, since the Shaykh revised the older edition.

5. S. 'Abd al Aziz = Hernan Cadavid - 208 S. Jefferson St.
    S. 'Abd al Latif = Michael Pollack 3280 Inverness Farm Rd.
Both are in Bloomington, IN 47401.

6. We do not yet know when exactly S. Abu Bakr is coming. But he usually comes the last week in August through the first week in September. And yes, it is all right if all five of you come.

One small correction, Sidi: one should not say, "Je prie Dieu qu'il soit toujours satisfait de vous" to the Shaykh. No doubt your intention was to follow the Arabic "radiya 'Lláhu anhu", which is normally said or written after the names of saints. But it is only done after the saints has died. It is best left in such cases in the Arabic, rather than translated, as it sounds peculiar in a European context, and really makes sense only in Arabic, owing to its Koranic connotations. For the Shaykh it is enough to say, "may God bless you always", or something of the kind.

We often think and speak of you, and we all hope you will be able to visit us again soon. Please algo give my best greetings to S. Abd Allah and the other Friends.

With all my best wishes.

Abu Bakr Siraj Ad-Din  (Martin Lings)"







Um belo dia!

Quando chegar a hora em que tudo parecerá perdido, eles aparecerão!


Hoje foi um dia de trabalho árduo, mas compensou. Fui dormir às quatro e meia e tive de me levantar às sete para acabar trabalhos que costumo fazer em dois dias, de modo a poder passar a tarde com um amigo que finalmente conseguiu finalizar as exigências relativas a um pedido de equivalência do seu diploma. Tive ainda de passar horas com ele nas finanças para completar umas formalidades, mas o fiz com toda a satisfação pois esse amigo, num momento de dificuldade extrema, me deu a mão e disse que poderia contar com a sua ajuda para tudo. Agora, uma coisa interessante. Outras duas pessoas me estenderam a mão naquela época, e os dois possuem algo em comum com o amigo de hoje: são ex-legionários. É aqui que as coisas começam a ficar interessantes, afinal, não pude ir, por ter de auxiliar a família numa luta árdua de cariz político (mais politiquice de paspalhos que se acham invisíveis do que propriamente Política), para a Legião, o que considerava como uma espécie de rito necessário para ser um historiador a sério, mas a Legião veio até mim. 

Para além dos legionários, também travei uma bela amizade com um ex-spetsnaz que se apaixonou por Portugal. Ninguém imagina que o cavalheiro, cordial como poucos e com um sorriso invulgarmente simpático, tem um currículo extraordinário de acções em combate, especialmente porque chegou a trabalhar nas obras quando cá chegou. Agora, faz algo melhor e está ambientado, demonstrando bastante espírito. Fala muito bem, mas nunca deixou de falar como um russo. Por vezes, quando diz algo, preciso de um segundo para "pescar" o isco, e por vezes, confesso, preciso de mais tempo. E tem um lado russo que a gente não vê em muitos russos, do tipo que a gente olha e pensa: é esse o tipo que sobreviveria num gulag. Enfim, carrega o seu lado de tragédia, algo um bocado incomum para nós, acostumados a viver em tempos melhores, mas é um homem bom. Se as velhotas da aldeia soubessem do seu passado... Bom, sei que a maioria dos meus amigos não acredita em bruxas, mas eu acredito, e agora vem a parte esquisita da história. Tive um sonho, coisa que não acontecia há muito, bastante estranho. Estava só num buraco cheio de ossos e com um cheiro terrível atirando contra um monte de seres híbridos, os corpos eram humanos, mas as faces eram de cobras. Estava cheio de ódio e disparava com uma raiva invulgar, frustrado por não fazer mais estragos com a minha arma, que acabou por ficar sem munição. Fiquei com mais raiva e passei a jogar tudo o que tinha contra aquelas criaturas horríveis, que por alguma razão me queriam destruir. Lembro de chegar a atirar todos os ossos, cada vez mais raivoso pela frustração de nada conseguir fazer contra aquela legião, e de ficar sem pele nas mãos por arrancar todas as pedras do chão para arremessar. Comecei então a usar os punhos e até a cuspir, ainda mais frustrado por nada conseguir, até que lembrei que tinha uma granada no pescoço, presa pela cavilha num cordão que costumo carregar (sem a granada, logicamente;). 

Fiquei contente pois aí soube que o meu sacrifício seria compensado com a morte de toda aquela legião infernal, justo no momento em que ela se deliciava com a minha carne. Foi justamente aí que apareceu um guerreiro gigante, cuja beleza e imponência era simplesmente indescritível. No último momento, quando tudo parecia perdido e havia aceite o meu sacrifício, afinal, seria compensado, fui salvo por aquele guerreiro. Sei que muitos imaginam que exagero quando afirmo que estou convicto de que estamos à beira de uma guerra mundial, mas estes são cada vez menos pois as notícias não auguram nada de bom, porém, aceitar essa possibilidade não nos deve conduzir ao desespero. Muito pelo contrário!

Somos uma raça que só encontra ânimo na luta desigual, e não faltam pessoas com capacidade para lutar por aqui. Estou convicto de que, caso venha a bronca, o velho espírito que conduziu os nossos antepassados à victória contras as legiões invictas de Napoleão renascerá. Também os nossos antepassados se depararam com uma ameaça que parecia imparável. Lembrem que as legiões de Napoleão eram consideradas imbatíveis e tinham recentemente saído victoriosas de Jena, Austerlitz e Wagram. Em 1808, nos levantamos contra eles e demos uma surra no exército multinacional de Napoleão, só com a força moral do povo, e mostramos o que o espírito humano pode, bem antes do tirano ter metido os pés na Rússia (1812), que mais não fez do que replicar a estratégia que por cá adoptamos (a terra queimada e as linhas de Torres Vedras), mas com a vantagem do terreno e do inverno russo. Não precisamos da União Europeia e nem da Nato. Nada trazem a não ser a inimizade de potências poderosas, sem sequer oferecer segurança em troca da pilhagem. A Suíça deveria servir de exemplo, e se quisermos a paz, basta deixar bem claro que, se for preciso, estamos dispostos a nos explodir para levar connosco qualquer imbecil que se atreva a tomar o que os nossos antepassados nos legaram.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A propósito...

Tudo tão bonito. As avózinhas se encantam...


O formalismo ao qual fomos condicionados por séculos de burocratização funciona como um véu que nos impede de compreender o "enigma" do poder, apesar dos instintos contradizerem constantemente, quando somos confrontados com uma situação prática que nos afecta, o que aprendemos por repetição. Em teoria, os reis das monarquias liberais não têm nenhum poder, mas a verdade é que têm mais poder do que qualquer soberano em qualquer monarquia dicta absoluta. A diferença é que, ao contrário dos reis nas tais monarquias absolutas, onde os reis, em teoria, eram poderosos, mas na práctica eram limitados por inúmeros poderes que ninguém, ou nenhum grupo, poderia controlar, os reis das monarquias liberais, ao menos naquelas que "sobreviveram", ou seja, onde se associaram à oligarquia que as impôs a ferro e fogo com exércitos mercenários,  possuem muito pouco poder do ponto de vista formal, mas detém redes de influência e abundantes recursos que os permitem determinar subrepticiamente os rumos de um estado quase omnipresente, omnisapiente e omnipotente. Ainda assim, apesar dos poucos poderes formais, esses reis oligarcas (BP, Shell, Cintra Concessiones, Wallenberg,...) podem muito bem fazer a diferença em certos momentos, como poderia ter feito o "rei" dos belgas a propósito da aprovação da eutanásia para crianças, mas jamais o fazem. Cabe a nós especular e perguntar a razão disso. Se não o fazem por medo, então são covardes que por conveniência, ou seja, apenas para manter a coroa, assinam leis ilegítimas, ou melhor, criminosas, e se a razão não é o medo, então é porque estão de acordo.  As presenças dessas figuras nos conclaves da oligarquia transnacional, como o que recentemente aconteceu na Dinamarca e contou com o Sr. Balsemão Camarate, com o ministro Paulo Mandado e a irmã da atriz que apareceu num filme do Tarantino, não deixa dúvida a respeito do assunto.

Agora, passemos à abdicação do João Carlos de Espanha. Como sabemos, de austera a monarquia espanhola nada tem. Só quando fazemos comparações dos gastos oficiais com as mais descaradas repúblicas de ladrões é que ficamos com a impressão de que estamos diante de algo exemplar, o que nos dá um indício do avançado grau de decadência e ingenuidade do mundo ocidental. O comportamento do ocupante do trono espanhol, que há alguns meses, no meio de uma crise sem precendentes, resolveu fazer uma viagem secreta com uma amiguinha e dar uns tiros num elefante, feito ao alcance de qualquer ancião rico capaz de mover o indicador, ainda que para isso precise de um comprimido vasodilatador (já lá vão os tempos em que Assurbanipal caçava leões que aterrorizavam os súbditos a cavalo e de lança...), só veio expor o que todos, menos os leitores de Caras e Hola, sabem, e não é por acaso que cada vez mais há menos espanhóis que acreditam na actual monarquia. Diante de tal facto, nada como uma pequena operação de imagem inspirada no exemplo papal. Tudo vai continuar na mesma, mas o povo vai se distrair com as cerimónias oficiais e com conversinhas de chá e bolachinhas diet veiculadas pelos media. E assim se ganha tempo.

O mais importante, entretanto, é aumentar a intensidade das ameaças que rondam Espanha de modo a tornar o rei, na percepção popular, indispensável. Nada como um aumento da retórica anti-cristã e separatista, de preferência com umas igrejas queimadas, uns atentados do ETA (mas serviria a tal "alcaida") e ameaças de morte contra o novo rei - melhor ainda se houver um golpe de militares radicais, logicamente concebido para falhar - para fazê-lo sair de tudo isso como um herói. Daqui a algumas décadas, podem ter a certeza, dirão todos os jornalistas e palpiteiros que Felipe, num momento de extrema fragilidade do trono espanhol em que o próprio futuro da nação estava em causa, provou pela sua acção que é um grande estadista. Agora deixo cá duas recomendações de leitura a propósito do tema: