quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sexo, Sufismo e Mentiras: Quando Olavo é Traído por Sidi



Nesta publicação, o Prometheo Liberto traz ao público aquela carta dentre toda a correspondência trocada entre Olavo de Carvalho/Sidi Muhammad e Martins Lings que é a mais comprometedora. Nela pode-se ver Lings dando as solicitadas instruções a Sidi de como pagar o zakat (esmola), um preceito exotérico do Islã. Ora, se Sidi Muhammad fosse apenas sufi, como ele alega, estaria desobrigado de pagar o zakat, pois tal preceito só deve ser seguido pelos muçulmanos. Assim, a submissão de Sidi Muhammad ao preceito exotérico de pagamento do zakat é uma prova de sua conversão. Lings menciona ainda que Sidi era o líder da comunidade dele. Logo, cabia a ele decidir como usar o dinheiro arrecadado com o zakat. Dito isso, não há mais como sofismar sobre a conversão de Olavo ao Islã.
Outro fato desabonador sobre o passado do embusteiro consiste na afirmação de Lings de que as mulheres da tariqa eram iniciadas mediante intercurso carnal com pessoa do sexo oposto. Logo, os rituais da tariqa envolviam relações sexuais. Numa discussão travada com  Caio Rossi pelo Orkut, Sidi Muhammad disse que a tariqa do Schuon era uma esculhambação e havia troca de casais. Acrescentou que, mais cedo ou mais tarde, iria revelar os nomes do tariqueiros que faziam swing. Como Sidi é mitômano, essa informação isoladamente soaria pouco crível, mas após ler-se a carta de Lings, vê-se que é verossímil.  Desse modo, ficam as perguntas:

1) Sidi Muhammad só assistia à iniciação das mulheres ou também participava desse ritual? Sua esposa foi iniciada com o marido ou com algum outro homem?

2) 
Havia mulheres solteiras na tariqa. Quem as iniciava?  A Sharia não permite que uma muçulmana solteira tenha relações sexuais. Schuon permitia a violação da Sharia em sua tariqa ?

3) O que foi feito das crianças eventualmente geradas nesses bacanais sufi?

4) Qual o interesse honesto haveria em esconder uma supostamente abandonada conversão ao Islã?


Eis a transcrição dos originais da réplica de Martin Lings a consulta prévia do Olavo:

"Dear S. Muhammad.

Thank you for your recent letter. Here are the answers to your questions, and to those of Sa. Sahlah, during our telephone conversation.

1. The zakat is not an easy matter. In a general way it is 2,5 % of one's income after taxes, or if one has an independent fortune, one can tax the revenues derived from the interest or income that is drawn from it yearly. In cases of need, where the income barely covers the expenses of life, then one need pay no zakat, obsviously. The zakat can be collected and kept for emergencies, for fuqara who are ill or helpless, for travel to Bloomington, for fuqara who do not have enough to live on, etc. The leader of the community can decide how to use it -- in this case, you. Zakat is normally paid once a year, after Ramadan, but it is enough to pay once a year. Those who cannot pay money, can offer zakat in other ways: basically by helping others, in an informal manner. Those who feed others a great deal can also be considered to be paying a zakat.

2. Since there are only three of you who are initiated, you cannot chant the Name aloud. You may lead a chant of the Shahadah ( first Shahadah ) instead: 100, 300, 500 ... 1000 times. Then you may keep a long silence to invoke silently. The women do not have to be in a different room, simply in back of the men, as in Bloomington.

3. The woman is initiated by man during the sexual act - assuming no interference by birth-control devices. There is no initiation apart from this contact.

4. For the French editions of Understanding Islam and The Transcendent Unity, you must contact "Edition du Seuil" 27 rue Jacob 75261 Paris. As you know, one should use the 1979 edition ( the newest ) of Transcendent Unity, since the Shaykh revised the older edition.

5. S. 'Abd al Aziz = Hernan Cadavid - 208 S. Jefferson St.
    S. 'Abd al Latif = Michael Pollack 3280 Inverness Farm Rd.
Both are in Bloomington, IN 47401.

6. We do not yet know when exactly S. Abu Bakr is coming. But he usually comes the last week in August through the first week in September. And yes, it is all right if all five of you come.

One small correction, Sidi: one should not say, "Je prie Dieu qu'il soit toujours satisfait de vous" to the Shaykh. No doubt your intention was to follow the Arabic "radiya 'Lláhu anhu", which is normally said or written after the names of saints. But it is only done after the saints has died. It is best left in such cases in the Arabic, rather than translated, as it sounds peculiar in a European context, and really makes sense only in Arabic, owing to its Koranic connotations. For the Shaykh it is enough to say, "may God bless you always", or something of the kind.

We often think and speak of you, and we all hope you will be able to visit us again soon. Please algo give my best greetings to S. Abd Allah and the other Friends.

With all my best wishes.

Abu Bakr Siraj Ad-Din  (Martin Lings)"







Um belo dia!

Quando chegar a hora em que tudo parecerá perdido, eles aparecerão!


Hoje foi um dia de trabalho árduo, mas compensou. Fui dormir às quatro e meia e tive de me levantar às sete para acabar trabalhos que costumo fazer em dois dias, de modo a poder passar a tarde com um amigo que finalmente conseguiu finalizar as exigências relativas a um pedido de equivalência do seu diploma. Tive ainda de passar horas com ele nas finanças para completar umas formalidades, mas o fiz com toda a satisfação pois esse amigo, num momento de dificuldade extrema, me deu a mão e disse que poderia contar com a sua ajuda para tudo. Agora, uma coisa interessante. Outras duas pessoas me estenderam a mão naquela época, e os dois possuem algo em comum com o amigo de hoje: são ex-legionários. É aqui que as coisas começam a ficar interessantes, afinal, não pude ir, por ter de auxiliar a família numa luta árdua de cariz político (mais politiquice de paspalhos que se acham invisíveis do que propriamente Política), para a Legião, o que considerava como uma espécie de rito necessário para ser um historiador a sério, mas a Legião veio até mim. 

Para além dos legionários, também travei uma bela amizade com um ex-spetsnaz que se apaixonou por Portugal. Ninguém imagina que o cavalheiro, cordial como poucos e com um sorriso invulgarmente simpático, tem um currículo extraordinário de acções em combate, especialmente porque chegou a trabalhar nas obras quando cá chegou. Agora, faz algo melhor e está ambientado, demonstrando bastante espírito. Fala muito bem, mas nunca deixou de falar como um russo. Por vezes, quando diz algo, preciso de um segundo para "pescar" o isco, e por vezes, confesso, preciso de mais tempo. E tem um lado russo que a gente não vê em muitos russos, do tipo que a gente olha e pensa: é esse o tipo que sobreviveria num gulag. Enfim, carrega o seu lado de tragédia, algo um bocado incomum para nós, acostumados a viver em tempos melhores, mas é um homem bom. Se as velhotas da aldeia soubessem do seu passado... Bom, sei que a maioria dos meus amigos não acredita em bruxas, mas eu acredito, e agora vem a parte esquisita da história. Tive um sonho, coisa que não acontecia há muito, bastante estranho. Estava só num buraco cheio de ossos e com um cheiro terrível atirando contra um monte de seres híbridos, os corpos eram humanos, mas as faces eram de cobras. Estava cheio de ódio e disparava com uma raiva invulgar, frustrado por não fazer mais estragos com a minha arma, que acabou por ficar sem munição. Fiquei com mais raiva e passei a jogar tudo o que tinha contra aquelas criaturas horríveis, que por alguma razão me queriam destruir. Lembro de chegar a atirar todos os ossos, cada vez mais raivoso pela frustração de nada conseguir fazer contra aquela legião, e de ficar sem pele nas mãos por arrancar todas as pedras do chão para arremessar. Comecei então a usar os punhos e até a cuspir, ainda mais frustrado por nada conseguir, até que lembrei que tinha uma granada no pescoço, presa pela cavilha num cordão que costumo carregar (sem a granada, logicamente;). 

Fiquei contente pois aí soube que o meu sacrifício seria compensado com a morte de toda aquela legião infernal, justo no momento em que ela se deliciava com a minha carne. Foi justamente aí que apareceu um guerreiro gigante, cuja beleza e imponência era simplesmente indescritível. No último momento, quando tudo parecia perdido e havia aceite o meu sacrifício, afinal, seria compensado, fui salvo por aquele guerreiro. Sei que muitos imaginam que exagero quando afirmo que estou convicto de que estamos à beira de uma guerra mundial, mas estes são cada vez menos pois as notícias não auguram nada de bom, porém, aceitar essa possibilidade não nos deve conduzir ao desespero. Muito pelo contrário!

Somos uma raça que só encontra ânimo na luta desigual, e não faltam pessoas com capacidade para lutar por aqui. Estou convicto de que, caso venha a bronca, o velho espírito que conduziu os nossos antepassados à victória contras as legiões invictas de Napoleão renascerá. Também os nossos antepassados se depararam com uma ameaça que parecia imparável. Lembrem que as legiões de Napoleão eram consideradas imbatíveis e tinham recentemente saído victoriosas de Jena, Austerlitz e Wagram. Em 1808, nos levantamos contra eles e demos uma surra no exército multinacional de Napoleão, só com a força moral do povo, e mostramos o que o espírito humano pode, bem antes do tirano ter metido os pés na Rússia (1812), que mais não fez do que replicar a estratégia que por cá adoptamos (a terra queimada e as linhas de Torres Vedras), mas com a vantagem do terreno e do inverno russo. Não precisamos da União Europeia e nem da Nato. Nada trazem a não ser a inimizade de potências poderosas, sem sequer oferecer segurança em troca da pilhagem. A Suíça deveria servir de exemplo, e se quisermos a paz, basta deixar bem claro que, se for preciso, estamos dispostos a nos explodir para levar connosco qualquer imbecil que se atreva a tomar o que os nossos antepassados nos legaram.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A propósito...

Tudo tão bonito. As avózinhas se encantam...


O formalismo ao qual fomos condicionados por séculos de burocratização funciona como um véu que nos impede de compreender o "enigma" do poder, apesar dos instintos contradizerem constantemente, quando somos confrontados com uma situação prática que nos afecta, o que aprendemos por repetição. Em teoria, os reis das monarquias liberais não têm nenhum poder, mas a verdade é que têm mais poder do que qualquer soberano em qualquer monarquia dicta absoluta. A diferença é que, ao contrário dos reis nas tais monarquias absolutas, onde os reis, em teoria, eram poderosos, mas na práctica eram limitados por inúmeros poderes que ninguém, ou nenhum grupo, poderia controlar, os reis das monarquias liberais, ao menos naquelas que "sobreviveram", ou seja, onde se associaram à oligarquia que as impôs a ferro e fogo com exércitos mercenários,  possuem muito pouco poder do ponto de vista formal, mas detém redes de influência e abundantes recursos que os permitem determinar subrepticiamente os rumos de um estado quase omnipresente, omnisapiente e omnipotente. Ainda assim, apesar dos poucos poderes formais, esses reis oligarcas (BP, Shell, Cintra Concessiones, Wallenberg,...) podem muito bem fazer a diferença em certos momentos, como poderia ter feito o "rei" dos belgas a propósito da aprovação da eutanásia para crianças, mas jamais o fazem. Cabe a nós especular e perguntar a razão disso. Se não o fazem por medo, então são covardes que por conveniência, ou seja, apenas para manter a coroa, assinam leis ilegítimas, ou melhor, criminosas, e se a razão não é o medo, então é porque estão de acordo.  As presenças dessas figuras nos conclaves da oligarquia transnacional, como o que recentemente aconteceu na Dinamarca e contou com o Sr. Balsemão Camarate, com o ministro Paulo Mandado e a irmã da atriz que apareceu num filme do Tarantino, não deixa dúvida a respeito do assunto.

Agora, passemos à abdicação do João Carlos de Espanha. Como sabemos, de austera a monarquia espanhola nada tem. Só quando fazemos comparações dos gastos oficiais com as mais descaradas repúblicas de ladrões é que ficamos com a impressão de que estamos diante de algo exemplar, o que nos dá um indício do avançado grau de decadência e ingenuidade do mundo ocidental. O comportamento do ocupante do trono espanhol, que há alguns meses, no meio de uma crise sem precendentes, resolveu fazer uma viagem secreta com uma amiguinha e dar uns tiros num elefante, feito ao alcance de qualquer ancião rico capaz de mover o indicador, ainda que para isso precise de um comprimido vasodilatador (já lá vão os tempos em que Assurbanipal caçava leões que aterrorizavam os súbditos a cavalo e de lança...), só veio expor o que todos, menos os leitores de Caras e Hola, sabem, e não é por acaso que cada vez mais há menos espanhóis que acreditam na actual monarquia. Diante de tal facto, nada como uma pequena operação de imagem inspirada no exemplo papal. Tudo vai continuar na mesma, mas o povo vai se distrair com as cerimónias oficiais e com conversinhas de chá e bolachinhas diet veiculadas pelos media. E assim se ganha tempo.

O mais importante, entretanto, é aumentar a intensidade das ameaças que rondam Espanha de modo a tornar o rei, na percepção popular, indispensável. Nada como um aumento da retórica anti-cristã e separatista, de preferência com umas igrejas queimadas, uns atentados do ETA (mas serviria a tal "alcaida") e ameaças de morte contra o novo rei - melhor ainda se houver um golpe de militares radicais, logicamente concebido para falhar - para fazê-lo sair de tudo isso como um herói. Daqui a algumas décadas, podem ter a certeza, dirão todos os jornalistas e palpiteiros que Felipe, num momento de extrema fragilidade do trono espanhol em que o próprio futuro da nação estava em causa, provou pela sua acção que é um grande estadista. Agora deixo cá duas recomendações de leitura a propósito do tema:



terça-feira, 27 de maio de 2014

Yo no creo en brujas...

 
 Agora já não dá para culpar o bin Laden...

A visita de vassalagem, com direito a homenagem a Theodor Herzl, acabou em grande e até teve direito a fogo de artifício, mostrando o que nos espera se capitularmos diante do sionismo. Os cristãos palestinos e sírios que o digam:

¿Pedían un signo? – LA GRUTA DE LA NATIVIDAD SE PRENDE FUEGO TRAS LA VISITA BERGOGLIANA

sábado, 24 de maio de 2014

Reizismo: doença infantil dos monárquicos (liberais)



Hoje dei de cara com uma manifestação de reizismo que muito me surpreendeu, ainda que não tenha ficado abalado. Os monárquicos brasileiros constituem um dos grupos mais activos na denúncia da demolição do Brasil, incluindo a questão indígena, problema criado por interesses globalistas com o intuito de justificar uma futura gestão privada da Amazónia em nome da comunidade internacional, porém, não conseguem dizer o nome dos cabeças desse movimento, à excepção dos Rockefellers da vida, pois a maior parte deles é constituída por monarcas.

Para um tradicionalista, isso não constitui problema, mas esses ainda são uma minoria entre os monárquicos brasileiros, resignados à opção liberal devido às circunstâncias locais, em que uma suposta independência sepultou um mítico Brasil "colónia de exploração" e inaugurou uma monarquia genuinamente brasileira fundada numa constituição liberal. Admito que os resultados alcançados nalguns pontos, como a estabilidade administrativa e política, especialmente nas últimas quatro décadas (mas não esqueçam as três décadas de guerra civil intermitente), foi extraordinário se os comparamos aos feitos republicanos, porém, a verdade é que a monarquia brasileira liberal foi também uma farsa e fracassou, caindo sem que um tiro fosse disparado e deixando todo um povo desamparado diante da sanha daqueles que sob a monarquia já eram fortes, mas ainda encontravam alguns limites, transformando-se depois na oligarquia parasitária cuja obra está à vista de todos: uma nação sem coluna vertebral, apesar do seu gigantismo e do seu potencial, vulnerável a qualquer tentativa de partilha do seu território, o que acontecerá tão logo as condições internacionais favoreçam tal passo, e ainda mais dependente dos bancos internacionais.

Porém, até agora os monárquicos brasileiros se calavam, por pudor, diante das constantes visitas - e do financiamento - de figuras como o eterno Príncipe de Gales aos territórios e populações fronteiriças sob influência do globalismo, fazendo de conta que nada de mal se passava. Mas parece que o pudor se foi. Há pouco, li uma homenagem da Causa Imperial à visita do globalista Harald V da Noruega a uma aldeia "ianomâmi", destinada a legitimar e propagandear uma farsa "generosamente" financiada pela erário da sua nação:




Harald, monarca de um estado engessado e de súbditos dos quais podemos dizer com toda a propriedade o mesmo que disseram romanos dos gauleses, gallus quoque in bellis floruisse audivimus, cuja sorte é ter uma população exígua e recursos naturais abundantes, como o petróleo, sobrevalorizado pela manipulação do mercado cuja base é a máquina de guerra do atlantismo, o que permite um rendimento que faz da Noruega uma espécie de emirado em território europeu, ostenta um belo currículo, fazendo parte do Conselho dos 300 e da WWF, entre outros clubs para cavalheiros discretos, e estando por detrás várias ONGs ligadas ao governo da sua nação em operações de financiamento e treinamento de grupos separatistas na Amazónia, como o CIMI, a Comissão Pró-Ianomâmi, o Conselho Indígena da Amazônia Brasileira, a Organização Pró-Amazônica Nativa, o Instituto Socioambiental e a Rain Forest Foundation. 

Diante de tal facto, mandei um comentário de repúdio a essa homenagem anti-patriótica, para não dizer criminosa. Mas lá, tal como cá nessas associações reizistas tomadas por aventais e outros seres obscuros, a verdade é censurada. Dos dirigentes dessas associações nada espero, a não ser o mal, e por isso é preciso combater a base do poder que essa gente possui sobre grande parte do povo com tendências monárquicas, o reizismo, doença infantil dos monárquicos. Por mais paradoxal que pareça, a verdade é que o apego dos liberais pelas monarquias modernas da Europa Setentrional não passa de um fetiche revivalista de pessoas levadas a aderir a tal macaqueação de monarquia por capricho, como fica claro, por exemplo, nas figurinhas que circulam no âmbito do PPM. Apesar de falarem todos em constituição, como se não tivesse havido sempre uma constituição, a verdade é que a única coisa que têm para dar e os distingue dos defensores da actual república liberal é o culto ao rei, seja ele quem for, afinal, se é rei, é bom. 

Da minha parte, quero distância disso. Nunca gostei dos contos da Disney e é justamente isso o que vejo nas tais monarquias moderninhas. Não é por acaso que Sir Elton John foi o compositor de um famoso "requiem" para a actual casa ocupante do trono britânico. Diziam os antigos que gosto não se discute, mas eles não conheceram a monarquia britânica:



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Pacto suicida

Isso não vai acabar em "happy end".

Há artifício por detrás da imbecilidade aparente da política de sanções económicas à Rússia, cujas exportações são estratégicas para o Ocidente e cujas importações podem ser substituídas recorrendo a uma política proteccionista ou se abrindo à China. A opção por tal política já deu resultados concretos, como se pode verificar nas útimas noticias:




O que se conseguiu aqui foi uma espécie de pacto suicida entre o Ocidente ocupado e a Rússia. O Ocidente ocupado, em processo de desindustrialização devido à política de abertura comercial à China esclavagista e engessado por um sector público parasitário, que em troca do confisco tributário cria mais dívidas e impede o homem que não está ligado à "máquina" de exercer os seus dons e atingir os limites do seu potencial, graças a um regime imposto e mantido pelos monopólios (que desejam estender os seus privilégios a todos os sectores da actividade humana), fica ainda mais debilitado pois a sua fracção europeia terá de pagar ainda mais caro do que já paga pela energia, enquanto a sua fracção americana será obrigada a "competir" (sobreviver é mais adequado) com uma indústria chinesa ainda mais competitiva devido à reducção dos custos de energia.

Por outro lado, pode parecer que a Rússia fica a ganhar, mas a verdade é que optou pelo menor dos males. A curto prazo, conseguirá manter o seu rendimento e diminuirá o poder negocial do Ocidente, mas a longo prazo aumenta o desbalanço de poder, que já é favorável, em relação à China. O arsenal nuclear russo poderá garantir a segurança da Rússia durante mais algum tempo, talvez duas décadas (acredito que menos), pois é mais do que garantido que a potencia tecnológica em que a China se transformou conseguirá quebrar os actuais paradigmas da guerra com soluções técnicas. A China já forma, há mais de uma década, mais engenheiros por ano que todo o Ocidente e o seu número não pára de aumentar. Por outro lado, para além de estarmos a falar de um povo muito engenhoso, famoso pela sua originalidade, a China possui a melhor inteligência do mundo a nível de roubo de propriedade intelectual e tecnologias e ninguém iguala a sua engenharia reversa, velha de décadas e recheada de feitos dignos de admiração. 

A pergunta a fazer é a seguinte: a quem interessa, para além da China, que não determina a política russa e do ocidente, tal pacto suicida, ainda que não fosse ele o plano A na sua agenda? Se quisermos responder a pergunta,  teremos de procurar pelos grupos de poder com capacidade para influenciar os rumos desses três actores...    

terça-feira, 20 de maio de 2014

Receita para desintoxicação das "más ondas" dos paus mandados da política, com destaque para os do BE

Nem precisam de cores...

Uma das experiências mais gratificantes da minha vida foi viver em Itália por mais de um ano, experimentando a sensação de estar em locais famosos por eventos passados há mais de dois mil anos. Estar num local onde sabemos que ocorreu uma grande batalha, conhecendo os detalhes que à maioria não interessam, nos faz viajar no tempo e ter visões. Devido ao meu interesse prematuro por Roma e pela Grécia, gravei na memória a fisionomia dos grandes vultos da antiguidade e tal característica foi logo percebida pela minha namorada na altura, uma holandesa que estudava grego e latim e amava o Mediterrâneo, levando-a a inventar um jogo. Quando íamos a um museu ou nos deparávamos com um busto da antiguidade, ela cobria a placa e eu deveria "adivinhar" quem era. Quando se tratava de imperadores, senadores destacados ou generais, nunca me enganava. Aquilo era quase como ter de adivinhar os nomes de gente da própria família.

Ligeirezas à parte, notei que os bustos dos homens notáveis da antiguidade exerciam sobre mim uma espécie de efeito relaxante, retirando-me da atmosfera intoxicante do mundo do zapping e da constante actividade sem propósito e elevando-me a outras esferas, em que realmente podia contemplar a grandeza desses homens notáveis. Conversando com alguns amigos, mencionei-lhes o facto e pedi para que experimentassem fazer o mesmo, e funcionou. Obviamente, só partilhei isso com quem nutria o mesmo interesse que eu pela História, mas  acredito que os que se interessam pelo que se escreve cá partilham do mesmo interesse, à excepção dos paus mandados de um sujeito qualquer que há umas décadas era astrólogo profissional e enganava viúvas.

Assim, como pedido de desculpas por vos ter lembrado de alguém tão pequeno no post anterior, vos presenteio com o busto de Cícero. Para aumentar o poder da desintoxicação, sugiro a leitura das catilinárias (aqui) ao som do alegretto da 9ª de Beethoven (aqui).