terça-feira, 20 de agosto de 2019

Como Bolsonaro vai entregar a Amazônia Brasileira para Washington e seus sócios minoritários


Parafraseando o Gilberto Gil, a Gronelândia é aqui...


O Brasil, a não ser que Bolsonaro seja destituído, o que exigiria que as figuras mais destacadas da política e do judiciário - ou pelo menos as altas patentes militares - tomassem vergonha na cara e/ou adquirissem mais uns pontos de QI (sim, a idiotice conta muito), vai perder a Amazônia. O golpe que está sendo aplicado ao Brasil é óbvio e eu já o anunciei aqui várias vezes ainda antes do fim das eleições. Basta procurar no arquivo do blogue.

Bolsonaro já deixou bem clara qual é a sua posição em relação à Amazônia em duas ocasiões:


 Conversa com o "confrade olaviano" Nando Moura:



 "Discurso" em público: 



Daquilo que se pôde observar, e prevendo o futuro pelo passado recente do mundo, o golpe terá quatro actos. A primeira parte já está completa. Bolsonaro, num primeiro momento, depois de garantir uma posição de destaque no Top Ten dos maiores inimigos da humanidade na percepção do homem médio ocidental, dá carta branca a madeireiros e garimpeiros para avançarem para cima da floresta, exterminarem a fauna selvagem e abaterem índios à vontade. Como esperado, algumas nações com forte interesse na Amazônia e um movimento ambientalista de peso se aproveitam disso para criticar o Brasil e incitar a opinião pública do mundo ocidental, ou melhor, dos países que fazem parte da NATO/OTAN, contra o Brasil. 

A segunda parte, a catástrofe ecológica, também chegou ao termo. Após poucos meses de governo, em pleno inverno no hemisfério sul, eis que enormes incêndios deflagram em vastas áreas da floresta e cobrem parte significativa da América do Sul com fumo, convertendo o dia em noite em muitas cidades, o que ainda por cima tem a virtude de tocar na questão do aquecimento global e dá belas fotografias para as primeiras páginas dos jornais mundiais. Imaginem quando aparecerem as fotografias dos pobres animais torrados nesse inferno! Sendo assim, estamos prontos para o terceiro acto. 

O governo Bolsonaro, o mesmo que entregou a estratégica Embraer para a Boeing, cedeu a distribuição de combustível para empresas internacionais e cortou os gastos com as forças armadas como nunca antes na história da actual república (enterrando programas estratégicos como o dos caças Gripen e o da construção dos submarinos), forças armadas essas que poderiam ter um papel de relevo na protecção ambiental, dos índios e no combate aos incêndios, mas agora vivem na penúria e estão impotentes, adoptou políticas económicas que levarão à perda de todas as reservas internacionais e à fuga de capitais, e isso enquanto usa a política externa para abalar as exportações agrícolas, a única coisa que ainda mantém o Brasil de pé. O acordo UE-Mercosul recentemente assinado dá à Bruxelas, caso queira usar a sua legislação sanitária e ambiental, o poder para impedir unilateralmente as importações agrícolas do Brasil, ao mesmo tempo que garante que nada afectará a posição privilegiada das importações de produtos europeus, e Bolsonaro tem se esforçado para que isso aconteça, para além de hostilizar outros mercados importantes para o agronegócio (países árabes, Irão e China). O Brasil vai, em questão de algum tempo, quebrar. Terá então de recorrer, de mãos vazias, à banca internacional. Chegamos assim à quarta fase.

Na quarta fase teremos o derradeiro pretexto para que todos aceitem a "solução" já adiantada por Bolsonaro antes da eleição. O Brasil, quebrado financeiramente e diante de catástrofes ambientais contínuas, mostrando impotência e falta de vontade para combater a devastação da Amazônia, e forças armadas desdentadas, será palco de um enorme massacre de índios, talvez em conjunto com outra onda de incêndios. E num país onde não faltam pistoleiros, sabendo ainda por cima como os que estão de olho na Amazônia têm recursos e “disposição” de sobra (pensem na Síria e na Ucrânia), não é difícil imaginar onde quero chegar. 

Então, nesse exacto momento toda a comunidade internacional se erguerá e Bolsonaro, o salvador da nação aos olhos de tantos imbecis, dirá que o Brasil perdeu a Amazónia e o melhor é explorá-la em conjunto com Washington, nosso aliado, para não perdê-la por completo, como desejarão os europeus. Os americanos então ficarão com os lucros, e o Brasil com o prejuízo da imagem desgastada. Após algum tempo, num quadro de miséria crescente, os EUA conseguirão, sem grandes dificuldades, fazer na Amazônia o que acabaram de propor em relação à Gronelândia, ou seja, comprá-la. E para esses idiotas cujo sonho de consumo é uma viagem à Disney, isso será um grande negócio.

E com o Eduardo Bolsonaro em Washington, a família Bolsonaro ainda conseguirá engordar a sua conta bancária em 50 ou 100 milhões de dólares, logicamente antes de levar a tradicional rasteira ianque... O enredo pode variar de acordo com a evolução do cenário, mas não há de variar muito. Quanto aos militares brasileiros, que tanto diziam querer defender a Amazônia, só posso dizer uma coisa: se os senhores não estão vendidos, então são uns grandes palhaços. Mostraram em poucos meses que só servem para fazer policiamento de favela, a mando de americanos, nas favelas do Haiti. Não é a toa que até um bruxo especializado em enganar viúvas vos fez passar por néscios. Tenho vergonha dos senhores. Parece que toda a excelência que existia nas forças armadas morreu com a geração de Geisel e do Almirante Othon!

terça-feira, 6 de agosto de 2019

O iminente fim do Brasil. O tempo de reacção se esgotou!

The Economist: uma velha conhecida...


A revista The Economist resolveu dar destaque à "questão amazónica" na semana passada, chegando ao ponto de lhe dedicar a capa. Há anos tentei advertir o público a respeito da cobiça mundial sobre a Amazónia brasileira, cobiça que nada possui de novo, afinal, é a continuação do processo que levou à formação das Guianas francesa, inglesa e holandesa (Suriname). 

Eis que agora a Foreign Policy decide ir mais além:


O governo Bolsonaro, como cá mostramos por diversas vezes, é parte do processo que conduzirá a isso. Lembremos o que escrevi ainda antes da posse de Bolsonaro:




Bolsonaro, de um lado, manifesta a vontade de permitir a compra de largas parcelas de terra por corporações estrangeiras, enquanto do outro defende o fim das restrições ambientais, promove o desmatamento, a caça da fauna autóctone e até mesmo a hostilidade contra os brasileiros silvícolas, que assim começam pouco a pouco a se tornar susceptíveis a uma campanha anti-brasileira orquestrada desde fora.

Este é o mesmo governo, lembrem, que cortou drasticamente as verbas dos militares, pondo um fim a programas importantes como o dos novos submarinos e o das fragatas, e permitiu a "entrega" da Embraer para a Boeing, e o mesmo vale para a estratégica Petrobrás, colocando o Brasil numa posição de total fragilidade perante a possibilidade de um ataque cirúrgico contra alvos estratégicos (nem sequer temos defesa anti-aérea ou anti-míssil!), ou mesmo um simples bloqueio. Ou seja, ao mesmo tempo que fornece os pretextos para uma futura intervenção na Amazónia, corta os meios de oposição a tal possibilidade e abre as portas a uma maior influência estrangeira sobre a Amazónia convidando corporações estrangeiras para lá comprarem imensos territórios. Como seria de esperar, tais corporações aumentarão a devastação do território a curto prazo, dando combustível aos ambientalistas a soldo dos estados centrais do Ocidente, para depois elas próprias se beneficiarem da entrega - ou conquista - do território sob pretextos humanitários e ambientalistas.

Mas, como diz o título, não quero me limitar ao que se passa na Amazónia, mas sim escrever um bocado sobre o que está acontecendo com o Brasil como um todo. Bolsonaro ainda por cima incita os ódios regionais, chegando ao ponto de já ter dado um impulso inicial para a formação de grupos separatistas no Nordeste, uma novidade na história recente do Brasil. Isso só servirá para reforçar os separatismos sulistas, e quem sabe o Centro-Oeste entrará na onda em breve, iludido de que o seu potencial agrícola o salvará da crise em que o resto da nação se afunda. Para piorar, a população está cada vez mais dividida entre uma esquerda identitária, que se resigna a alimentar as chamadas "causas fracturantes" e tira da pauta das discussões o que realmente interessa, como tudo que se liga ao tema soberania, alimentando do outro lado a direita moraloíde, e igualmente internacionalista, que está na base do olavo-bolsonarismo, direita cujo mentor espiritual já fala abertamente em assassinatos. A esquerda identitária e o olavo-bolsonarismo se alimentam mutuamente e não passam de instrumentos de subjugação do Brasil!

O Brasil, neste momento, está prestes a perder o resto da pouca indústria que ainda possui, que mal chega a contribuir para 10% da formação do PIB, e isso num quadro onde a indústria extractiva ganhou um peso gigantesco (10,4% segundo os últimos dados), se limitando cada vez mais a actividades como a agricultura extensiva e a mineração, actividades que jamais garantirão a prosperidade da sua imensa população de 210 milhões de habitantes, condenando o país a uma cada vez maior desigualdade social e a uma frustração crescente que só alimentará o ciclo vicioso no qual já está preso de forma, creio eu, irreversível. Bastará uma crise internacional que faça o preço das commodities caírem e pronto, teremos a crise perfeita.

Infelizmente, os grupos que sabem o que se passa não contam na política nacional e a classe militar está despreparada para compreender o tipo de acção que ameaça fazer do Brasil um gigantesco Congo, ou melhor, uma colecção de Congos e Colômbias. Não quero perder as minhas esperanças, mas, olhando para o quadro de forma racional, sou obrigado a admitir que o fim do Brasil é iminente. O tempo para reacção se esgotou na última eleição e aqueles que poderiam fazer alguma coisa estão desorientados e não foram preparados para o presente desafio. Basta ver como os militares presentes no governo foram domesticados pelos capatazes de um bruxo terraplanista especializado em enganar viúvas que vive na Virgínia, bruxo esse que nem sequer esconde seu envolvimento com o Departamento de Estado americano e com o milenarista Steve Bannon!

Nações muito mais bem preparadas sucumbiram em tempos recentes, e o Brasil, ou melhor, a maioria esmagadora dos brasileiros andou a dormir. Apesar da tal ideia de que vivemos num mundo globalizado ser um lugar comum, parece que quase ninguém entendeu as consequências - e os perigos - disso. O brasileiro continuou agarrado à convicção de que o Brasil é uma espécie de paraíso isolado dos problemas que afectam o resto do planeta Terra, apesar dos alertas de um Snowden, ainda em 2013, ou das primaveras árabes, do golpe na Ucrânia, da ingerência na Síria e, pasmem, da tentativa de intervenção numa Venezuela que se tornou um dos pontos quentes da geopolítica mundial num continente acostumado a uma posição periférica!

De resto, para mostrar o quanto a nossa elite é provinciana e estúpida, cito o recente acordo Mercosul-União Europeia. Iludidos pela mesquinhez, os caipiras produtores de commodities comemoraram  o sacrifício do pouco que ainda sobrou da indústria (e, diga-se de passagem, até industrialistas imbecis comemoram esse golpe nos seus interesses por razões obscuras que só posso interpretar como prova de demência suicida), e a abdicação de qualquer política industrial daqui para a frente, e tudo isso por um acordo em que, mas só em teoria, ganham algumas migalhas insignificantes. Na realidade, graças às regras sanitárias da União Europeia, que dão a Bruxelas o poder para vetar unilateralmente as importações agrícolas do Brasil sob vários pretextos eficazes (e Bolsonaro deu ainda mais pretextos aprovando o uso de pesticidas antes proibidos!), não ganharam nada e a longo prazo perderão qualquer posição negocial, afinal, uma nação sem uma indústria forte é fraca, e uma nação fraca não consegue defender os seus interesses agrícolas. Basta olhar para o mundo e ver quem é que determinou os acordos agrícolas nas rodadas comerciais em detrimento do mundo em desenvolvimento nas últimas décadas. União Europeia, Estados Unidos da América, Canadá e Japão conseguiram desde sempre condicionar os mercados agrícolas às suas necessidades e impuseram a abertura dos mercados industriais e de serviços das nações fracas às suas corporações, dando em troca apenas migalhas e promessas! Se alguma coisa permitiu que a agricultura brasileira crescesse, foi basicamente a demanda da China e do Médio Oriente que não podia ser suprida pelas nações centrais.

E virá o momento em que os ruralistas perderão tudo. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento do mundo, e da história humana, sabe que chegará o dia em que essa classe será demonizada no exterior e movimentos como os sem-terra, ou bem mais radicais, receberão apoio internacional para destruir a posição dos grandes agricultores brasileiros, aos quais restará vender as suas terras, a preço de banana, para as grandes corporações internacionais. Para quem promoveu o Estado Islâmico quando isso convinha...

Enfim, a ganância misturada à estupidez das elites brasileiras não só conseguiu deitar abaixo o sonho de um Brasil potência, como aquele com que sonhamos na era Geisel, mas conseguiu sepultar de vez o próprio Brasil. Espero me enganar, mas o "ratio" de acertos deste blogue nos últimos anos me deixa pouco esperançoso...  


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

"Para fazer essa porcaria funcionar", segundo o bruxo que domina a cabeça de Bolsonaro, faltam "alguns assassinatos"...

Se quiser, Sr. Olavo, venha a Portugal, com o seu filho marine,
 e resolveremos o assunto como cavalheiros...

Apesar das advertências, o processo de desestabilização começado em 2013 e que ameaça levar o Brasil para uma ditadura cruenta e/ou uma guerra civil, tudo em prol dos interesses de Washington ou Telavive, continua em curso. Depois dos últimos sucessos, o bruxo que por intermédio de Bolsonaro assumiu a presidência, Olavo de Carvalho, se sente confiante o suficiente para recomendar a utilização de assassinatos através da sua conta no Twitter. Nada que já não tivesse avisado, inúmeras vezes, que iria se passar se a ameaçada não for neutralizada (agora muitos entenderão o papel das milícias e a vontade olaviana de estender seu "curso de filosofia" a todos os policiais militares). Infelizmente, suspeito que ainda assim o processo seguirá o seu curso. 

Há poucos dias assisti a entrevista do general Santa Cruz, exonerado do governo a pedido de Olavo de Carvalho, no Roda Viva. Fiquei mais do que esclarecido a respeito da incompreensão da classe militar, e dos jornalistas, quanto ao que se passa no Brasil. É um quadro onde, de um lado, temos interesses que dispõem de milhares de técnicos bem formados e informados, dezenas de bilhões de dólares para investir em inteligência e acções sofisticadas de ingerência e, ainda por cima, hegemonia cultural, e do outro algumas centenas de formadores de opinião e pessoas com alguma posição que se informam através dos, pasmem, jornais! Não foi por acaso que um bruxo terraplanista, por intermédio de um sujeito cujo QI está abaixo dos 80, tomou o poder executivo. De resto, bem sei que no topo da listinha do senhor Olavo de Carvalho está o meu nome. Se o matador de crias de urso e gatos quiser, pode vir pessoalmente à Portugal, com o seu filho marine, e resolveremos o assunto como cavalheiros. 

P.S: De resto, eu e o meu irmão fomos fomos alvo de uma tentativa de assassinato da parte de Olavo de Carvalho. Se ele quiser negar, que me processe e mostrarei as provas!