Parafraseando o Gilberto Gil, a Gronelândia é aqui...
O Brasil, a não ser que Bolsonaro seja destituído, o
que exigiria que as figuras mais destacadas da política e do judiciário - ou
pelo menos as altas patentes militares - tomassem vergonha na cara e/ou
adquirissem mais uns pontos de QI (sim, a idiotice conta muito), vai perder a
Amazônia. O golpe que está sendo aplicado ao Brasil é óbvio e eu já o anunciei
aqui várias vezes ainda antes do fim das eleições. Basta procurar no
arquivo do blogue.
Bolsonaro já deixou bem clara qual é a sua posição em
relação à Amazônia em duas ocasiões:
Conversa com o "confrade olaviano" Nando Moura:
"Discurso" em público:
Daquilo que
se pôde observar, e prevendo o futuro pelo passado recente do mundo, o golpe terá quatro actos. A primeira parte já está
completa. Bolsonaro, num primeiro momento, depois de garantir uma posição de
destaque no Top Ten dos maiores inimigos da humanidade na percepção do homem
médio ocidental, dá carta branca a madeireiros e garimpeiros para avançarem
para cima da floresta, exterminarem a fauna selvagem e abaterem índios à
vontade. Como esperado, algumas nações com forte interesse na Amazônia e um movimento ambientalista de peso se aproveitam
disso para criticar o Brasil e incitar a opinião pública do mundo ocidental, ou
melhor, dos países que fazem parte da NATO/OTAN, contra o Brasil.
A segunda
parte, a catástrofe ecológica, também chegou ao termo. Após poucos
meses de governo, em pleno inverno no hemisfério sul, eis que enormes incêndios deflagram em vastas áreas da floresta e
cobrem parte significativa da América do Sul com fumo, convertendo o dia em
noite em muitas cidades, o que ainda por cima tem a virtude de tocar na questão
do aquecimento global e dá belas fotografias para as primeiras páginas dos
jornais mundiais. Imaginem quando aparecerem as fotografias dos pobres animais torrados nesse inferno! Sendo assim,
estamos prontos para o terceiro acto.
O governo Bolsonaro, o mesmo que entregou
a estratégica Embraer para a Boeing, cedeu a distribuição de combustível para
empresas internacionais e cortou os gastos com as forças armadas como nunca
antes na história da actual república (enterrando programas estratégicos como o
dos caças Gripen e o da construção dos submarinos), forças armadas essas que
poderiam ter um papel de relevo na protecção ambiental, dos índios e no combate aos
incêndios, mas agora vivem na penúria e estão impotentes, adoptou políticas
económicas que levarão à perda de todas as reservas internacionais e
à fuga de capitais, e isso enquanto usa a política externa para abalar as
exportações agrícolas, a única coisa que ainda mantém o Brasil de
pé. O acordo UE-Mercosul recentemente assinado dá à Bruxelas, caso queira usar
a sua legislação sanitária e ambiental, o poder para impedir unilateralmente as
importações agrícolas do Brasil, ao mesmo tempo que garante que nada afectará a posição privilegiada das importações de produtos europeus, e Bolsonaro tem se esforçado para que isso
aconteça, para além de hostilizar outros mercados importantes para o agronegócio (países árabes, Irão e China). O
Brasil vai, em questão de algum tempo, quebrar. Terá então de recorrer, de mãos
vazias, à banca internacional. Chegamos assim à quarta fase.
Na quarta
fase teremos o derradeiro pretexto para que todos aceitem a "solução"
já adiantada por Bolsonaro antes da eleição. O Brasil, quebrado financeiramente
e diante de catástrofes ambientais contínuas, mostrando impotência e falta de
vontade para combater a devastação da Amazônia, e forças armadas desdentadas, será palco de um enorme
massacre de índios, talvez em conjunto com outra onda de incêndios. E num país onde não faltam pistoleiros, sabendo ainda por
cima como os que estão de olho na Amazônia têm recursos e “disposição” de sobra (pensem na Síria e na Ucrânia), não é difícil imaginar onde quero chegar.
Então, nesse exacto momento toda a comunidade internacional se erguerá e Bolsonaro, o
salvador da nação aos olhos de tantos imbecis, dirá que o Brasil perdeu a Amazónia e o melhor é explorá-la
em conjunto com Washington, nosso aliado, para não perdê-la por completo, como desejarão os europeus. Os
americanos então ficarão com os lucros, e o Brasil com o prejuízo da imagem
desgastada. Após algum tempo, num quadro de miséria crescente, os EUA conseguirão, sem grandes dificuldades, fazer na Amazônia o que acabaram de propor
em relação à Gronelândia, ou seja, comprá-la. E para esses idiotas cujo sonho de consumo é uma viagem à Disney, isso será um grande negócio.
E com o
Eduardo Bolsonaro em Washington, a família Bolsonaro ainda conseguirá engordar
a sua conta bancária em 50 ou 100 milhões de dólares, logicamente antes de levar a tradicional rasteira ianque... O enredo
pode variar de acordo com a evolução do cenário, mas não há de variar
muito. Quanto aos militares brasileiros, que tanto diziam querer defender a Amazônia,
só posso dizer uma coisa: se os senhores não estão vendidos, então são uns
grandes palhaços. Mostraram em poucos meses que só servem para fazer policiamento de favela, a
mando de americanos, nas favelas do Haiti. Não é a toa que até um bruxo especializado em enganar viúvas vos fez passar por néscios. Tenho vergonha dos senhores. Parece que toda a excelência que existia nas forças armadas morreu com a geração de Geisel e do Almirante Othon!