domingo, 9 de setembro de 2018

Mais serenidade e inteligência, senhores!

Um professor, ou melhor, um mestre!


Nunca tive grandes problemas em aprender com um "inimigo". Ainda bem. Hoje, chegando aos 42 anos, vejo que isso me salvou de uma existência rasa pois foi com o inimigo que mais aprendi. Saber reconhecer as qualidades e a grandeza de um homem superior é uma qualidade que nos salva da burrice ideológica e nos ajuda a compreender a realidade, ao invés de sermos um mero peão inerte no tabuleiro. Por isso jamais temi negar que tenho Henry Kissinger por um dos meus mestres. Vou até mais longe: por mais que o veja como um adversário, não consigo deixar de sentir simpatia pelo homem e compreendo a sua maneira de pensar, e sou quase sempre levado a concordar com ele, mesmo quando meus interesses ou a minha moral me colocam contra o que ele defende. É um adversário racional, com quem se pode sentar à mesa e discutir directamente e sem rodeios, e se chegar a um acordo realista. Que mais se pode desejar? Só quem acredita no mundo dos ursinhos cor-de-rosa não vê isso!

Fiz esta introducção para deixar bem claro que não possuo amarras ideológicas e que, em política, sou um pragmático. Ideologia, para mim, é coisa de pobre, e na categoria pobre incluo todos os que têm menos de 500 milhões de dólares, excluindo alguns milhares que pensam pela própria cabeça e sabem "como as coisas funcionam", tentando reconhecer e promover o que é melhor dentro do que é possível. É isso o que devem ter em mente quando lêem o meu blogue: Carlos Velasco está se lixando para as ideologias e mais interessado em resolver os problemas prácticos que ameaçam tanto o Brasil como Portugal, afinal, se estas nações passarem à longa lista de nações que deixaram de existir, Carlos Velasco terá de acabar os seus dias numa nação estrangeira, fria e escura, escrevendo sobre a história do fracasso colectivo do seu povo e a ascensão de outros povos mais aptos. Isso me machuca bastante, posso vos confessar, especialmente porque nunca me senti inferiorizado em relação a outros povos, anda que não tenha problemas em admirar as qualidades deles.

Portanto, Bolsonaretes, não percam tempo a enviar seus comentários idiotas para cá. Não estou com o vosso ídolo pois ele não passa de um imbecil ao serviço de nacionalistas e internacionalistas americanos. Se fosse americano (posso vos dizer que apoiei Trump, mas pelas mesmas razões que levaram a Rússia a preferi-lo), também apoiaria Bolsonaro, e vos veria a todos como uma nação de macacos completamente desorientada e incapaz de defender, ou mesmo sequer definir, os seus interesses. Do ponto de vista geopolítico, inclusive vos digo que já que o Brasil está nas mãos de macacos, e que a macacada está pronta para se matar, seria bom que a perda de força relativa americana no Médio e do Extremo Oriente fosse contrabalançada com um acordo favorável aos EUA na costa ocidental africana e na América Latina. Preço irrisório pela paz mundial. É isto o que pode vir a acontecer em breve, e Trump tem dado sinais nesse sentido. E vocês, suas cadelinhas histéricas, em conjunto com a esquerda dos lulas, marinas, boulos e outros incendiários, não estão a fazer nada para além de abanarem a cauda para o Pitt Bull americano. Mesmo que, por interesse material imediatista, do tipo "comprei acções e conto com a valorização delas nesse cenário", fosse motivado, como muitos dos senhores são (tenho um primo idiota nesta categoria), saberia que se consegue um melhor acordo quando se finge não desejar tal acordo. É o contrário do que os senhores estão a fazer, idiotas! 

É por possuir esta perspectiva prática e racional que, desde que o general Mourão apareceu na cena, eu logo notei que deveria dar atenção aos seus movimentos. Vejam o que escrevi em 8 de Outubro, meses antes de ser nomeado vice do candidato Jair Bolsonaro:


E é por essa mesma razão que afirmei o seguinte no meu mural no Facebook no dia 26 de Julho, bem antes do dia em que Mourão foi escolhido como vice de Bolsonaro, 5 de Agosto. Podem ir ao meu perfil ver tudo, mas aqui deixo um print:

 



E no dia 5 de Agosto, lancei este alerta:




Tudo o que escrevo, escrevo sob uma perspectiva lastreada na ideia de que o Brasil, o tal gigante adormecido, está localizado no Planeta Terra, e que se não tomar juízo, e cair numa guerra civil, vai ser comido pelos grandes tubarões da geopolítica. Por outro lado, esta perspectiva é baseada num profundo conhecimento histórico, e isto me permite constatar outra realidade absolutamente aterrorizante na candidatura Bolsonaro que abre as portas para que o poder caia na rua, como desejava o guru do ex-capitão na altura do impeachment: Bolsonaro perdeu o controle sobre o próprio eleitorado. A coisa já chegou ao ponto onde ou Bolsonaro se coloca adiante do movimento, aumentando ainda mais a polarização e se tornando ainda mais dependente da boa vontade dele, ou acabará ultrapassado pelo tal movimento. Isso explica a atitude incendiária do vice, o general Mourão, contrariando as próprias críticas que teceu para que Bolsonaro lhe oferecesse a vaga como vice, ou seja, a de que os seus seguidores eram boçais!

Será preciso explicar o que vai acontecer se Bolsonaro ou outro candidato incendiário, como Haddad ou Marina, vencerem?  Lembrem que a legitimidade das eleições, independentemente do resultado, já foi colocada em causa pela esquerda, com a tentativa de lançarem Lula na corrida, e pela direita incendiária com a acusação de fraude pelas urnas electrónicas, num cenário em que a economia mundial caminha para uma grande crise e em que o quadro geopolítico é tenebroso.  Para piorar tudo, o Grande Jogo chegou à América do Sul, com uma disputa silenciosa entre os EUA e a China em curso e uma crise internacional já se anunciando por causa da questão dos refugiados venezuelanos.

De resto, repito que considero o PT, assim como candidatos fake do internacionalismo ao estilo Marina, Alckmin, Boulos, Amoedo e Henrique Meirelles, tão responsáveis por tudo o que virá quanto Bolsonaro, e o mesmo se estende a toda a imprensa partidária. Todos vocês foram responsáveis por dividir o Brasil em facções e, possivelmente, atirar o país para uma era de guerra civil e intervenção internacional. Felizmente, ainda há quem tenha inteligência no meio do zoológico em que se transformou o Brasil. Vale a pena ouvir o general Villas-Boas e pensar muito bem no que ele tem dicto:


 

sábado, 8 de setembro de 2018

Do "suposto" esfaqueamento do candidato presidencial Jair Bolsonaro


Aos poucos, de mente aberta e sem dar passos precipitados, começo a absorver o "suposto" esfaqueamento do candidato Jair Bolsonaro e a pensar em tudo o que foi escrito e divulgado. Confesso que é tudo muito estranho, ainda que não abandone por completo a hipótese que me pareceu acertada ao princípio: a acção isolada de um mentecapto. Mas as circunstâncias e as reacções, para além de uma cultura histórica absorvida em décadas de estudo... enfim, já se viu de tudo na história humana.

Considerando o quadro explosivo em que vive o Brasil, ao invés de instigar o ódio, como têm feito o guru de Jair Bolsonaro e o seu companheiro de chapa, Hamilton Moron, que declarou eu não acho, eu tenho certeza: o autor do atentado é do PT, e se querem usar a violência, os profissionais da violência somos nós, o que não apenas prova a falta de tacto do general de sipaios (e que o superestimei), mas sobretudo a má-fé criminosa do mesmo, confirmando tudo o que dele dissemos (e ainda vem mais), urge investigar tudo o que se passou para que não fiquem dúvidas, e sou da opinião que as próprias eleições deveriam ser adiadas enquanto tudo não for esclarecido por uma comissão inter-partidária com participação de observadores internacionais. E, para provar a sua boa-fé, Bolsonaro deveria desde já se disponibilizar para um exame de corpo delito sob fiscalização de uma comissão como a que sugeri (eu sei que os filhos dele lêem o meu blogue, afinal, até me pediram contacto depois do início do caso Olavo, contacto que excluí depois de me certificar de que estavam apenas a me espiar). Só isso pode ajudar a dissipar todas as dúvidas que pairam no ar, e tais dúvidas, neste momento de polarização extrema e desorientação geral, podem trazer o desastre. O poder dos boatos é conhecido de longa data.

Se não o fizer, fica mais uma vez claro que Bolsonaro coloca a sua ambição pessoal acima do Brasil, ainda que isto signifique uma guerra civil. Tal e qual Lula!

Recomendação de Leitura sobre o 7 de Setembro



No meio de tanta confusão, acabei por esquecer o 7 de Setembro, data pela qual não nutro afeição, como expliquei várias vezes em anos anteriores. Mas acabei de ler um texto muito interessante do Rafael Queiroz que recomendo a todos:


O Rafael, como eu, adopta o termo "secessão" para definir o que é vulgarmente conhecido como "Independência do Brasil". Em termos prácticos, conhecendo o que era o tal "Brasil Colónia" (outro termo impreciso...), e a recente promoção do Brasil a reino no quadro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, o que houve foi uma secessão despoletada por umas dezenas de imbecis (nos dois lados do Atlântico) irremediavelmente emburrecidos pela ideologia liberal e cegos pela perspectiva do ganho imediato - avaritia facit bardus - que encontraram inspiração e incentivo externo para as suas acções.

Tanto o Brasil como Portugal saíram perdedores. O Brasil perdeu a sua posição de reino mais forte e mais promissor num império multicontinental, entrando num período de três décadas de instabilidade política e se transformando numa feitoria endividada nas mãos de uma elite provinciana, e Portugal conheceu a guerra civil e seguiu por um caminho semelhante em direcção à irrelevância, à desmoralização e ao servilismo. Enfim, foi muito mau, mas nada que o quadro actual não supere...  

Observação: Nesse ponto, também recomendo o trabalho do professor Loryel Rocha, que muito tem feito para divulgar informações documentais omitidas pela historiografia corrente e acerta em muitas das suas interpretações.