quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Em defesa do Presidente: Marcelo tem razão!

As celebridades internacionais pagariam 500 mil euros
 pelo presidente e isso atrairia ainda mais gente excêntrica para Portugal!


Não costumo comentar "notícias", e há muito tenho negligenciado Portugal. Meu desencanto com a política local, depois de duas décadas de empenho, me levou a aceitar que hoje a mais antiga nação europeia é apenas um corpo inerte cujo rumo será determinado pelas correntes externas. A não ser que haja um milagre, creio que Portugal, como estado independente, acabou. A última oportunidade para reconstruir os fundamentos materiais da sua soberania, e reconquistá-la, se deu no fim do mandato de Sócrates. Infelizmente, à direita e à esquerda, não havia – e não há - nenhum grupo com maturidade suficiente para aproveitar a porta aberta e fazer aquilo que era – e é - necessário: oferecer aos portugueses uma via de saída do euro e um projecto económico viável. Ao invés disso, aceitamos o protectorado e uma via em que, para manter as aparências, seremos comprados em prestações, até a próxima crise financeira, e depois obrigados a ceder o que restou para continuarmos a sobreviver num quadro de decadência gradual.

Se algum futuro, num quadro político em que ainda exista autonomia administrativa e política, ainda que esta última seja limitada, é possível, isso depende hoje de um reerguimento do Brasil que abra as portas, num futuro distante, para uma possível confederação, e de que o tempo histórico nos conceder alguma tranquilidade até lá, o que acho muito difícil. O mais provável, se não formos simplesmente esmagados sob o peso de uma Europa centralista decidida ao suicídio, será, no caso desta se reformar, sermos apenas uma província cada vez menos "portuguesa" ou, caso a União Europeia ceda às tendências centrífugas, a união ibérica. E nem vou discutir as possibilidades que se abririam num quadro de cataclismo geopolítico, o que já não é improvável...

Ciente de que o que temos hoje já não pode ser chamado de estado nacional, mas é apenas uma frágil estrutura que encobre a verdadeira natureza das relações de força que hoje existem na Europa, especialmente na ligação entre Bruxelas e as nações mais fracas, e que a única carta que temos a jogar nesse cenário é a do "quem paga mais?" (China), o que não é de forma alguma a solução, mas sim parte do problema, sou obrigado a defender o presidente Marcelo Rebelo de Sousa no recente episódio da chamada em directo a uma figurinha televisiva popular entre as massas idiotizadas

Marcelo compreendeu o seu papel melhor do que todos os presidente recentes e deixou de lado todas as aparências de autoridade. Nada pode fazer em relação aos problemas que nos afectam, portanto, o melhor é continuar a ser esforçar para ser popular e distribuir muitos abraços e beijinhos, afinal, que mais pode ele fazer? Mesmo que desejasse, na sua posição, provocar uma discussão séria que colocasse o que é realmente fundamental em pauta, não poderia pois ele próprio não passa de um apresentador televisivo sem nenhum talento especial para além da verborragia inútil com que tão bem disfarça a sua falta de visão e inteligência. Ainda assim, está de parabéns pois compreendeu o seu papel, ainda que por vezes, como quando se reuniu com Trump, esqueça a sua posição e tente compensar a humilhação do cargo com fanfarronices professorais que causam o riso em alguém que só respeita o poder.

Enfim, parabenizo o presidente Marcelo e  desejo a ele que continue a sua carreira de sucesso, e aproveito para dar duas sugestões: senhor presidente, faça um single com o Quim Barreiros e comece a oferecer os seus serviços como mordomo para as celebridades internacionais que aqui vivem. Tenho certeza de que a Madonna, por exemplo, pagaria 500 mil euros para o ter a servir numa das suas festas. E seria uma forma de se aproximar do povo que gente como o senhor, seu fanfarrão, condenou a vender o seu trabalho para os outros europeus. Aproveite enquanto Portugal está em moda!


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

General Mourão: quanto tempo até descobrirem que é um agente do KGB?

 Bem que o guru da famglia Bolsonaro já avisou 
que os militares brasileiros batem continência para comunistas...

Quem acompanha o blogue sabe que já critiquei o general Mourão com uma ferocidade incomum, porém, apesar de todas as diferenças, é nele, e nos antigos militares que foram levados ao governo Bolsonaro por pressão das forças armadas, que vejo uma garantia mínima para que o Estado de Direito e o próprio Estado Brasileiro sobrevivam ao "olavo-bolsonarismo" depois de décadas de desmando e anos de desestabilização.

Graças a esse sector já foram derrotadas três propostas do olavo-bolsonarismo, duas das quais defendidas abertamente pelo representante mais articulado dessa corrente no actual executivo, Ernesto Araújo, que são a transferência da Embaixada Brasileira em Israel para Jerusalém, a cedência de território para a implantação de uma base militar americana no Brasil e a "doação" da EMBRAER.

Porém, por coincidência, eis que agora estoura um "escândalo" envolvendo Mourão, ou melhor, o filho dele: 

 


Como não nasci ontem, sei que o filho de Mourão foi ingénuo ao aceitar, sem conversar com o pai e reflectir junto a ele sobre o momento, a tal "promoção". Não há ali nenhuma ilegalidade, mas devemos lembrar do episódio da mulher de César. Para mim ficou claro que tudo se tratou de uma armadilha para enfraquecer Mourão perante a opinião pública e diminuir o poder dos militares em favor da ala olavista.

 









O plano era bom, devo dizer, mas a execução foi falha. O descaramento e a burrice dessa gente são tão grandes que dois expoentes do olavismo, silenciosos em relação ao dinheiro do Sr. Queiroz, este sim um assunto do foro criminal que justificará, quando investigado, o impedimento do actual presidente, vieram logo apontar o dedo ao General Mourão e a atacá-lo em público. Enfim, a continuar assim, ainda vão acusar Mourão de ser um comunista, ou melhor, um agente do KGB. Bem vindo ao clube, general Mourão!


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Bolsonaro vs Putin: Quando o Papagaio Fanfarrão bate de frente com o Tigre Siberiano


Civilização Cristã.


Durante os anos de presidência de Lula e Dilma, constatei um afastamento cada vez maior entre o estatuto que o Brasil imaginava possuir e a sua importância real. Apesar da popularidade de Lula na imprensa internacional, havia ali apenas uma bolha alimentada pela combinação de artigos elogiosos escritos por jornalistas ineptos e egos presidenciais inflados. A verdade nua e crua é que o Brasil, nesses anos, sofreu os efeitos nefastos da chamada “doença holandesa” pois o boom das commodities, alimentado pelo crescimento chinês, serviu apenas para sustentar uma política imediatista e populista de câmbio alto. Isso agradou aos pobres, que viram o seu nível de vida aparente crescer graças ao dumping chinês, à classe média, que agora podia viajar mais ao exterior para alimentar a sua auto-ilusão de riqueza, adquirindo selfies em tudo o que é referência turística ao redor do mundo, e aos verdadeiramente ricos, que aproveitaram para vender suas posições no Brasil antes do estouro da bolha especulativa e adquiriram posições em moedas fortes à espera da crise que obviamente viria, e veio. Enquanto isso, o Brasil deixou de ser uma nação industrial e passou a ser uma espécie de híbrido de Argentina e Congo, o tal dueto terras férteis/riqueza mineral que o imbecil que agora meteram na presidência fez questão de salientar que é o caminho que a nação deverá percorrer (Volta Dom João VI!). 

Para piorar essa queda de posição no balanço de poder mundial, as forças armadas receberam pouca atenção nestes anos e, para ser sincero, hoje são materialmente ridículas e servem de dissuasão apenas em relação aos vizinhos platinos, e estes nem sequer têm ambições sobre o Brasil. Qualquer nação com poder de projecção além-mar tem capacidade para atacar o Brasil impunemente pois este não conta com capacidade de resposta de longo alcance e nem sequer possui capacidade anti-aérea, para além de algumas dúzias de mísseis Igla. Qualquer nação com uma marinha decente poderia destruir as bases navais locais, acabando assim com o perigo oferecido pelos seus 5 submarinos, e bloquear os portos brasileiros, condenando a nação ao caos. Tal cenário, hoje, é improvável, mas isso serve apenas para evidenciar ainda mais o que interessa: o Brasil não possui capacidade para projectar poder para além da Zona do Prata, ou seja, é incapaz de qualquer acção relativamente à Venezuela. Tal acção demandaria capacidade para projectar o poder aéreo naquele país, o que não possui e nem sequer meto na conta o facto da Venezuela ter baterias S-300, passo essencial para que o exército tivesse condições logísticas de empreender uma invasão terrestre, e também demandaria um poder naval suficiente para dominar a costa e lançar operações contra Caracas e Maracaibo e abrir uma outra frente com fuzileiros navais, capacidade que também não tem. 

Mesmo os EUA, que têm capacidade mais do que suficiente para atacar a Venezuela, pagariam um alto preço inicial para destruir os sistemas de defesa aérea e é certo que o governo venezuelano deixaria as grandes cidades e resistiria a partir das selvas, onde aos EUA o uso de helicópteros seria vedado devido ao facto da Venezuela possuir os mesmos mísseis Igla que o Brasil, mas aos milhares (5 mil segundo fontes seguras, mas podem ser mais), criando depois um cenário ao estilo iraquiano nas grandes capitais, e bem pior que o Vietname no interior. Já podem imaginar como reagiria a opinião pública americana. Se o Brasil e a Colômbia apoiassem os EUA, a Venezuela facilmente poderia sabotar estes países com acções relativamente simples que visariam a infra-estrutura energética destas duas nações, entre outras opções. Imaginem o caos que mega-apagões causariam nessas duas nações tão seguras e civilizadas! Enfim, tal cenário seria catastrófico e só um imbecil pode pensar nisso, a não ser que tenha investido em acções de empresas de armamento ligadas ao Pentágono, mas isso é outra estória...

Dicto isto, agora podemos analisar os efeitos prácticos, que se reflectiram antes mesmo do “seu Jair” assumir a presidência, da imbecilidade dessa gente, expressa eloquentemente numa linguagem que revela completa imaturidade intelectual, recheada de uma overdose de citações bobas e exemplos que provam que nada entendeu ou entende do mundo, e da sua história, por Ernesto Araújo, cuja cara de bobo corresponde inteiramente à sua alma de jogador de RPG e “Risk”. Não bastasse a sua imbecilidade em propor uma aliança de nações que defendem a tradição, onde inclui Israel e EUA(!), para uma cruzada contra o globalismo, o islamismo e o comunismo, o que causou o riso geral da comunidade diplomática (Imagino as gargalhadas do velho e sagaz Kissinger!) e um esfregar de dedos,  acompanhado de um sorriso de rapina, num sector fundamentalista minoritário de uma certa minoria espalhada por todo o globo (tenho direito à minha parcela de politicamente incorrecto), Eduardo Bolsonaro, um dos meninos de recado do actual presidente, junto ao guru dessa escumalha toda, o chefe de seita Olavo de Carvalho, defendeu o julgamento do regime cubano por crimes contra a humanidade em público! Que recado esses idiotas querem dar, ainda mais depois do ridículo, inútil e humilhante episódio dos “desconvites”?

 Barbárie consumista.

O resultado disso, obviamente, é dar a todos os países vizinhos a certeza de que o Brasil, a partir de agora, já não respeita o princípio da soberania e é favorável ao fim do que ainda resta da ordem vestfaliana! E dá tal passo, o que é um passo revolucionário que vai muito para além do que o tal “globalismo” conseguiu até hoje, em nome de um suposto conservadorismo. Haja burrice para os seguidores desses imbecis não enxergarem o óbvio! Como toda a acção provoca reacção, o Brasil, um anão militar e geopolítico, mas que ao menos garantia alguma ordem e não ingerência na vizinhança, verá todos os vizinhos que se sentem incomodados fazendo aquilo que os seus diplomatas, tão elogiados a nível internacional, sempre tentaram evitar: a corrida das nações ameaçadas do continente às capitais dos gigantes geopolíticos rivais dos EUA, ou seja, Pequim e Moscovo, em busca de segurança. Logicamente, obterão vantagens, em detrimento das empresas brasileiras. E no  caso venezuelano a resposta veio rapidamente: 


E mais virá. Podem ter a certeza de que mais bases russas e chinesas serão instaladas no continente e, como reacção a isso, também virão mais bases americanas. O Brasil, ao contrário do lema da campanha bolsonariana, ficará abaixo de todos e, como o México segundo Porfirio Diaz, longe de Deus, e pode um dia, se a “bronca” estourar por aqui, ser partilhado numa espécie de reedição da Conferência de Berlim, afinal, quem quer arriscar uma guerra mundial por causa de "cucarachos"?

E com os idiotas que temos no poder, que vêm agora tocar na questão das reservas indígenas em favor de uma política que vai beneficiar o latifúndio e a mineração, temos o pretexto perfeito para isso, para além do meio, afinal, ao se propor julgar Cuba e ao se hostilizar a Venezuela por causa de questões internas, mostrando que o Brasil abandonou o velho conceito de soberania em vigor, se abriu a brecha para os poderosos e cobiçosos condenarem o Brasil por tudo o que se passa e se passará na Amazónia. E não esqueçam que, em teoria, é o futuro do mundo que está em jogo na Amazónia. Além disso, lembro que para quem organizou e financiou o que se passou  na Síria, seria ainda mais fácil criar um evento que mostre ao mundo a necessidade urgente de se proteger os índios do "genocídio brasileiro"!


O papagaio brasileiro, instigado pelo traiçoeiro pit bull americano, quis dar uma lição no galo de briga venezuelano e este foi logo chamar o seu novo amiguinho, o tigre siberiano. Putin, ao enviar aviões de bombardeio de longa distância e declarar publicamente a intenção de construir uma base na Venezuela, deu um recado bem claro e espero que haja vida inteligente em Brasília pois Putin, inteligente, deixou uma porta aberta. É importante que o “seu Jair”, ou pelo menos o imbecil do senhor Araújo, seja rapidamente removido da posição que ocupou. Caso isso não aconteça, os danos podem vir a ser irreversíveis.  De resto, espero que os militares brasileiros saibam honrar a sua farda e não se comportem como meros seguranças de um clã de parasitas do erário sanguinários e covardes que podem deitar abaixo uma obra erigida por séculos de esforços, o Brasil.