quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Esclarecimentos a meu respeito e sobre o projecto Prometheo





Diante do interesse acrescido a respeito de quem sou, penso ser necessário prestar alguns esclarecimentos pessoais, e explicar os objectivos do projecto Prometheo. Em primeiro lugar, farei uma pequena introducção biográfica, mas não sei antes fazer uma observação a respeito da ortografia que uso (e do acordo ortográfico). Uso a ortografia que considero mais bela, e essa ortografia não segue nenhuma ortografia oficial. Se fosse obrigado a usar a ortografia consagrada no novo acordo ortográfico, o que aconteceria se escrevesse num jornal ou lançasse um livro, não teria problemas em fazê-lo. Considero as lutas em torno do acordo ortográfico uma perda de tempo e tenho mais o que fazer.

Quanto a mim, me formei em História na Universidade de Coimbra, onde fui próximo de muitos indivíduos que mais tarde teriam posições de relevo na Assembleia da República, em Portugal, e na academia, terminando o curso com uma tese sobre imigração, agricultura e industrialização no Brasil,  que escrevi ao mesmo tempo em que fui investigador e dei aulas no finado Instituto de História da Ciência e da Técnica da mesma instituição. No ano a seguir, em 2002, fiz uma pós-graduação em Estudos Europeus pela Universidade de Siena sobre a Organização Comum de Mercado do Açúcar na Europa, passando alguns meses na Universidade de Salamanca e na Universidade de Estrasburgo, onde pude contactar vários deputados durante as sessões locais do Parlamento Europeu, e tive por colegas vários indivíduos que agora trabalham para a União Europeia.

Mais tarde, em 2005, comecei um mestrado, que tinha intenção de converter em doutoramento, a respeito das Cortes de Lisboa de 1821, na Universidade do Porto, mas deixei isso de lado quando senti que a resistência às conclusões a que chegava seriam enormes. Perdi o interesse pela academia e decidi buscar a fortuna de modo a poder, um dia, fazer as minhas investigações, contratando e minha própria equipe, mas até hoje não fiz a tal fortuna. Sou independente e tenho o meu negócio. Graças a isso refinei o meu conhecimento da economia, conhecimento que, a par da História, busquei desde cedo.

Me envolvi em várias iniciativas políticas, mas rapidamente me desliguei delas. A busca da verdade me incompatilizava com o espírito de facção. Depois de anos defendendo os princípios da monarquia tradicional ibérica, hoje sou um republicano, mas um republicano bem diverso do que anda por aí. Creio em mudanças graduais e retenho do princípio da divisão de poderes apenas a ideia de divisão dos poderes, abandonando a ideia de tripartição, simplificação teórica que, por ter sido levada às últimas consequências, nos trouxe grandes problemas. Guardo do foralismo o princípio municipalista e uma ideia próxima do que seria uma espécie de federação de municípios. 

Quanto aos partidos, creio que, num quadro de centralismo como aquele em que vivemos, são um perigo pois, através de uma noção de representatividade corrompida pelo sistema eleitoral, são facilmente instrumentalizáveis pelos interesses capazes de agir em âmbito nacional e de buscarem apoios no exterior. Quanto às ideologias, posso, no máximo, concordar com pontos isolados delas, mas não compro nenhum “pack completo”. As considero palas que reduzem a perspectiva.  Estou disposto a trabalhar com qualquer grupo em causas isoladas, e nada mais.

No fundo, estou aos poucos me transformando num historiador, e quem persegue o caminho da História chega, mais dia ou menos dia, se for inteligente e honesto, a uma espécie de pragmatismo bem fundamentado que se distancia e ri de todas as quimeras criadas pelos filósofos. O projecto Prometheo pode ser explicado por aí, mas convém lembrar que para além do fundamento histórico, há ainda a perspectiva geopolítica (onde me assumo como um realista), que me impede de isolar as questões políticas num contexto nacional, e um sentimento patriótico que não se esgota em fronteiras ou estados criados ao acaso, por meros acidentes. Enxergo um potencial imenso no triângulo  Portugal – Brasil – Angola, sem ter ideias fixas sobre como organizar uma comunhão de interesses desses estados, para além dos outros que fazem parte da esfera lusófona Acima de tudo, creio que não vale a pena forçar a história, ou se fechar a qualquer possibilidade, incluindo nisso o mundo “hispânico” e latino.

Acima de tudo, espero acabar os meus dias em paz, contente com o estado do meu povo e num lugar onde falam a minha língua. Como gosto de climas quentes, mas secos, e de muita luz, posso até dizer onde gostaria de passar a velhice: na Ilha do Sal, em Cabo Verde.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Olavo de Carvalho: Para que fique claro de onde vem o perigo da presidência Bolsonaro


É assim que, segundo Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro, se trata um "comunista".
Comunista, em olavês, é quem não concorda com o guru.


Uma das coisas que sempre me incomodaram bastante em Olavo de Carvalho, guru de Jair Bolsonaro, foi a constante repetição da sua solução para se lidar com aqueles que ele acusa de promoverem o "pensamento revolucionário": um tiro na cabeça. Enfim, achava isso não apenas algo pouco inteligente, afinal, ele próprio foi comunista na juventude, mas sobretudo criminoso, genocida e estúpido. Ir por aí, vos asseguro, é o caminho seguro para uma guerra civil e para um futuro triunfo do comunismo real.

No último post, tivemos uma pequena amostra do que são os métodos e fins dessa nova classe de políticos formados no olavismo, classe essa que já começa a chamar a atenção de vários veículos da velha imprensa, como se pode ver abaixo:


Mas ontem mesmo, seguro da sua posição, ele voltou a repisar no assunto de forma bem explícita:
 

Acho que não é preciso fazer um desenho a respeito de quais são as intenções do homem que afirma que veio para foder com tudo. Eu, que fui próximo, me lembro das conversas a respeito da formação de milícias ou colónias olavistas no interior do Brasil, o que já não será preciso, afinal, agora eles são mainstream e possuem gente distribuída por toda a imprensa, no congresso e ainda podem contar com as milícias do Rio de Janeiro, que desde sempre tiveram apoio de Jair Bolsonaro.
 


terça-feira, 30 de outubro de 2018

Ana Caroline Campagnolo deixa claro o que é o olavismo


Ana Caroline Campagnolo: sempre com um pau na mão.



A deputada recém-eleita Ana Caroline Campagnolo é uma velha conhecida minha. Olavette dos quatro costados, foi uma das mais activas difamadoras da minha pessoa nos últimos cinco anos. Agora, finalmente, ganha o direito a aparecer aqui como uma das intelectuais formadas no curso online de filosofia de Olavo de Carvalho, o tal que vai restaurar a alta cultura no Brasil.

Antes mesmo de assumir o cargo, já demonstrou ao que veio: 


Enfim, o guru da Virgínia deve estar orgulhoso da sua criação. Entendeu bem o que significa a guerra cultura e que ela depende da conquista de posições através da expulsão dos "comunistas", o que, como já explicamos, significa qualquer um que discorde do guru no léxico olaviano. Enfim, há vários anos, no trueoutspeak e no seu curso online, Olavo rasgava elogios ao Comando de Caça aos Comunistas, exaltando a coragem dos mesmos e a contrastando com uma suposta covardia dos vermelhos. Infelizmente, poucos o levaram a sério e, se o processo não for interrompido, o resultado será desastroso.

 



domingo, 28 de outubro de 2018

Portugal: a vítima ideal para o olavo-bolsonarismo




Quanto ao que têm escrito os jornalistas, investigadores e políticos portugueses a respeito do que se passa no Brasil, com raras excepções, posso vos assegurar que não chega perto do que é fundamental. Darei um exemplo. No texto que se segue, lançado em fins de 2013, pouco depois das "Manifestações dos 20 Centavos", acção clara de desestabilização e guerra psicológica na linha do que vinha acontecendo desde as "primaveras", se prepara o público católico, através de um padre ligado a Olavo de Carvalho cujo público é algo em torno de 2-5 milhões de indivíduos (que por sua vez tem influência sobre algumas dezenas de milhões), para a histeria anti-comunista que abre terreno para o "olavismo redemptor": 




Nada disso é conhecido do "establishment" local, e a informação nem sequer será compreendida se não estudarem a "conexão romena" e o "pensamento" de Olavo de Carvalho, e muito menos a importância do marianismo, e Fátima em particular, nessa farsa. Com isso, acho dá para se perceber o potencial destruidor do olavismo no mundo católico, facto que não passará despercebido de Steve Bannon, envolvido discretamente na campanha de Bolsonaro e já presente em Itália, onde está em vias de abrir uma academia político-religiosa com apoio do actual governo e de sectores da Igreja católica.


Se quiserem combater o mal, é melhor que conheçam de facto o que se passa ao invés de perderem tempo a escrever artigos idiotas ao nível de um Prós e Contras. Não se trata de uma escolha, mas sim de um dever.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Eleições no Brasil: Ingerência externa descarada e guerra psicológica em curso




 O que Hillary não daria para ter um documento semelhante assinado por um deputado russo!


Os últimos dias foram pródigos em notícias bombásticas:



O general Heleno, no qual cheguei a depositar esperanças há alguns anos apesar do seu discurso âmbiguo, e a deputada Joice Hasselman, velha conhecida nossa, são, para além do guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, os mais estridentes divulgadores destes boatos ridículos que ofendem a inteligência de todos os brasileiros, expõe o país ao ridículo internacional e, pior ainda, mostram a que grau chegou a ingerência externa na campanha presidências brasileiras, que já nem tentam esconder. O alerta teria sido dado por agentes de Israel e recentemente foi repetido por um congressista americano num comunicado convenientemente tornado público e amplamente divulgado! E como se isso não bastasse, a mesma Joice Hasselman divulgou a poucos dias que o PT organizará um falso atentado contra Haddad do qual foi supostamente informada por fontes da inteligência do exército, envolvendo uma instituição pilar da soberania numa farsa com intuitos criminosos. 

Caros, lembrem do que se passou na última eleição americana, quando, por muito menos e sem nenhum indício para além de circunstâncias suspeitas, acusaram a Rússia de ingerência na campanha eleitoral americana em favor de Trump, acusação que, se fosse provada, levaria ao impeachment. Pois bem, no caso brasileiro nem é preciso procurar pelas provas. Elas nos foram entregues pelo congressista Dana Rohrabacher e pela senhora Joice Hasselman, e depois confirmadas pela palavra do general Augusto Heleno. O Brasil está a ser alvo de uma campanha de desestabilização que passa pela guerra psicológica, mas o que mais me choca é um general de reserva do seu próprio exército se colocar ao serviço do inimigo. Será preciso fazer um desenho para explicar a gravidade da situação?