Putin, ao contrário da maior parte dos seus apoiantes,
não subestima a capacidade do inimigo. Ainda bem!
Já não me espanto com a ingenuidade de muitos que até abriram os olhos para algumas realidades, afinal, a formação de quase toda a gente é sobretudo teórica e falta interesse por certos estudos sem os quais é impossível se fazer apreciações bem fundamentadas da realidade.
A intervenção na Síria não foi desejada por Putin, mas a opção era bem pior. Para a Europa Ocidental, tanto melhor que Putin tenha sido obrigado a intervir, porém, o que se resolverá na Síria será mais do que compensado pela continuação da política de desestabilização do mundo islâmico no Norte de África. Enquanto isso, os parvalhões ainda perdem tempo discutindo coligações e questões partidárias e, para variar, serão novamente surpreendidos pelos eventos, para depois discorrer a respeito dos mesmos fazendo de conta que entenderam a questão.
Creio que em breve veremos uma onda de "refugiados" a cruzar o Mediterrâneo de Sul para Norte, e esta será muito pior. A União Europeia precisa urgentemente dessa crise para colocar os instrumentos previstos no Tratado de Lisboa, e nos seus anexos, em práctica, varrendo do mapa o que sobrou das soberanias nacionais e exercitando os poderes previstos, que incluem inclusive a pena de morte para dissidentes em caso de crise.
Os pseudo-nacionalistas, por burrice, no caso da militância, e conivência, no caso da maior parte das lideranças, aplaudirão o surgimento de "uma outra União Europeia", e nisso estarão alinhados com a esquerda e com a direita abertamente pró-regime, que concordarão no ponto essencial: esta crise é grande demais para ser resolvida a nível nacional e pede uma "solução europeia". Já aqui escrevi a respeito deste ponto e hoje mesmo já temos uma indicação de que o plano é mesmo seguir com a velha cartilha. O descaramento é gritante:
Sublinho algumas declarações proferidas hoje:
- Se a Europa não conseguir demonstrar unidade diante das crises, será o fim do bloco. (Hollande, governador da França Ocupada).
- Não é um debate sobre menos ou mais Europa; é entre a afirmação da Europa ou o fim dela. (Hollande, a respeito dos europeus patriotas defensores da saída do euro e da independência das suas nações sob ocupação).
- São centenas de milhares os refugiados que perseguem um projeto de esperança, que veem na União Europeia um território de paz, prosperidade e justiça. (Felipe, o actual usurpador liberal do trono de Espanha, escondendo o facto de que os serviços de inteligência estão usando os refugiados como escudos humanos para se introduzir dezenas de milhares de terroristas na Europa, facto confirmado pelos próprios russos e por dezenas de fotografias na rede).
- Erguer barreiras e se fechar na era da internet é uma ilusão. (Merkel, governadora da Alemanha sob ocupação defendendo a acção de desestabilização da Europa empreendida a favor da centralização em Bruxelas).
- Nenhum problema será resolvido dessa forma, ao contrário, surgirão problemas ainda mais graves. (Merkel, para deixar claro que qualquer problema ou solução devem ser usados como oportunidade para a construcção da ditadura tecnocrática internacionalista sedeada em Bruxelas).
Voltando à Síria, volto a frisar um outro ponto que já mencionei. Estou convicto de que os globalistas exercerão uma maior pressão sobre a Rússia pois a mesma insiste em resistir, ao invés de se acomodar à ordem que desejam impor ao mundo. A postura de Putin é notável. Apesar das dificuldades crescentes, ele não se deixa abater, mantendo-se firme. Seria tão fácil entrar em acordo...
Mas ele continua firme, até porque, mesmo que fosse tentado, não se deixaria levar pelo medo, enganando a si próprio. Putin saberia muito bem que ao aceitar ofertas do cartel bancário, apenas compraria tempo, e acabaria por ser sacrificado mais tarde. Assim, podemos esperar que a parada na Ucrânia vai aumentar bastante. Os sinais são claros e no Reino Unido já se fala abertamente em guerra. Para o bloco globalista, forçar a entrada de Putin numa guerra na Ucrânia, isolando-a aí, seria um golpe e tanto.
Na própria Síria a situação pode se tornar difícil, muito difícil. Israel, Arábia Saudita e a Turquia têm força mais do que suficiente para causar muitos problemas, forçando os aviões russos na zona a constantes missões de interceptação, de preferência, de maneira bem agressiva para ver se os russos mordem o isco. Aqui, minha aposta é que forçarão a mão usando a força aérea turca pelo facto desta nação fazer parte da NATO. Poderia descrever todas as forças aéreas das nações alinhadas com o globalismo naquela área, mas ficarei apenas pelas nações que realmente contam no ar, Israel, Turquia e Arábia Saudita, dando informações apenas a respeito da aviação de caça:

E combustível não faltará, como devem imaginar, só para começar a longa lista de problemas logísticos que condicionam a acção russa naquela zona, e favorecem a má vizinhança da Síria. Portanto, é melhor não embarcarmos em triumphalismos bobos e nos prepararmos para um jogo bastante longo onde não há vencedores por antecipação. Putin sabe disso e é por aí que se pode ter uma medida exacta da sua grandeza. Não há mérito nenhum no êxito sem risco, ou na temeridade irresponsável, e disso podemos estar seguros que Putin está imunizado.